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2015-04-22 | Estudos

Setores dos Transportes, AP, Retalho e Smart Cities em detalhe

Estudo Tendências


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2015-04-22 | Estudos
Setores dos Transportes, AP, Retalho e Smart Cities em detalhe
Estudo Tendências
TRANSPORTES PROCURAM INTEGRAÇÃO TOTAL

Foco no utilizador, gestão e otimização de ativos, virtualização e integração nas cidades inteligentes são os principais desafios dos transportes identificados no estudo da APDC. Num setor que enfrenta os desafios globais do consumo energético e das emissões do CO2, a par da contração da procura, maior liberalização dos operadores e aprofundamento das privatizações, os players debatem-se ainda com as necessidades específicas das suas operações. Ao mesmo tempo que se reestruturam e prepararam para novos modelos de negócio num contexto cada vez mais competitivo em que o utilizador/consumidor é o ponto central da estratégia. A análise centrou-se nas infraestruturas de transportes e nos operadores de transportes coletivos, analisando-se quatro grandes segmentos: Ferroviário, Aeroportuário, Rodoviário, Marítimo-Portuário.
Com todos os intervenientes do setor a procurar maior eficiência na circulação de pessoas e bens para aumentar a produtividade, os players do setor público e privado estão a desenvolver novas parcerias para criar sinergias e complementaridade, num contexto global e cada vez mais convergente. Precisam ainda de ter capacidade de resposta às exigências europeias, mas de criar mecanismos adequados para adequar a oferta a um novo conceito de procura, que inclui um vasto conjunto de serviços para além do transporte de pessoas e bens, num contexto de crescente integração e mobilidade.
Neste âmbito, os desenvolvimentos tecnológicos ao nível da informação, da segurança, da conectividade e dos meios de pagamento constituem um conjunto de oportunidades que devem ser aproveitadas para melhorar a relação e fidelizar utilizadores. A integração de meios de transporte, o acesso a redes móveis durante a deslocação de pessoas, o acesso à monitorização e ao planeamento de transporte e meios de pagamento integrados são hoje fatores preferenciais na procura de um serviço de transporte. E as empresas têm, cada vez mais, que conhecer o cliente e de criar uma oferta consistente de produtos e serviços, como o sistema de bilhética integrada inter-transporte, car-pooling e car-sharing, wifi on board e monitorização e planeamento do percurso. 
Acresce a necessidade de encontrar melhores formas de gestão e otimização de ativos, pela introdução de tecnologias para conectar equipamentos e infraestruturas a sistemas de gestão possibilitando a sua monitorização e pela aposta em melhores sistemas analíticos e de recolha de dados de operação e de negócio, que consigam prever o melhor cenário de manutenção. A homogeneidade de sistemas constitui outra parte importante na gestão e otimização de ativos. Os operadores de transportes têm ainda que repensar os seus modelos de negócio tendo em conta a inovação tecnológica. Soluções cloud e de mobilidade são apostas para ter capacidade de resposta e manter padrões de qualidade e disponibilidade de serviços, com redução de preços. E assume-se como prioritária a implementação de centros integrados de gestão de mobilidade nas cidades onde operam, com coordenação de todos os meios de transporte, gestão de semáforos inteligente e controlo dinâmico e adaptável das vias. Só assim será possível o planeamento multimodal dos transportes nas cidades.
Hoje, a combinação das TIC com o setor dos transportes ao nível da integração lógica de sistemas é reconhecida como de elevado potencial em todos os domínios. O aparecimento de novas tecnologias baixo custo (open-source), a expansão da cobertura das redes de telecomunicações, a diminuição de custos de hardware e de comunicações móveis e o aumento do uso da Internet pelos organismos públicos, constituem oportunidades sem precedentes para inovação no planeamento e gestão de transportes. E para a redução do consumo de energia e emissão de gases para o ambiente. O estudo destaca, entre os vários contributos das TIC para os transportes, as redes inteligentes, a virtualização e cloud computing e a interoperabilidade virtual.

ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA TEM QUE REFORÇAR NAS TIC

Melhoria de eficiência e eficácia, pressão para eliminação dos obstáculos à mudança, aumento da participação dos cidadãos nas opções do Estado e imperativo para que a modernização da AP possibilite o desenvolvimento de clusters de inovação no setor privado são as quatro grandes tendências identificadas na Administração Pública (AP) em Portugal. Numa análise centrada nas medidas transversais que podem ser implementadas na máquina do Estado, como forma de modernizar, simplificar, oferecer serviços de qualidade, potenciar a aproximação ao cidadão e impulsionar a iniciativa privada, através de um uso intensivo das ferramentas das TIC, o estudo da APDC considera que há muito espaço para melhorias, grandes ganhos de eficácia e redução de custos de contexto na esfera pública.
Partindo das iniciativas de modernização administrativa dos últimos anos, que mostram que a aposta na desburocratização e simplificação de processos tem tido sucesso, considera-se que muito ainda pode ser feito. Nomeadamente na simplificação e automatização de processos com recurso às TIC, no enfoque dos ministérios nas funções de negócio e na maior centralização de serviços de processamento/ back office (criando centros de serviços partilhados agregados). Tendo em conta a experiência de outros países, só este conjunto de iniciativas permitiria reduções de custos entre 20% e 30%. Mas estas iniciativas só poderão ter sucesso se forem acompanhadas de mudanças no modelo de funcionamento do Estado, com a minimização de obstáculos no terreno. Para isso, impõem-se medidas como a elaboração de orçamentos de Estado com base plurianual, que permitam projetos estruturantes e o comprometimento dos Governos com um plano investimentos de modernização. Assim como  ajustamento do código de contratação pública, alargamento do período de nomeação de gestores públicos e revisão do modelo de autonomia e responsabilização.
O processo exige também um aumento da participação dos cidadãos nas opções do Estado, que poderá ser feita por via da alteração da forma de funcionamento da própria máquina do Estado. Assegurar a descentralização político-administrativa e o maior envolvimento dos cidadãos no governo local, reforçar o papel dos painéis de cidadãos que acompanham o desenvolvimento de determinados serviços públicos e envolver os munícipes na formulação da estratégia de desenvolvimento local são passos que podem ser tomados neste âmbito. O estudo sugere ainda que, neste processo de modernização, a AP poderá ainda possibilitar o desenvolvimento de clusters de inovação no setor privado. 
Mas numa conjuntura de consolidação e de redução estrutural da despesa pública, o Estado tem vindo a cortar o investimento em TIC. Remetendo assim para segundo plano o seu potencial como instrumento-chave de modernização, transformação e otimização e, por essa via, de instrumento de racionalização e transformação de processos e serviços públicos. Defende-se por isso como essencial a "recuperação de uma Agenda Digital que volte a reposicionar as TIC enquanto pilar fundamental para a modernização, racionalização dos custos operacionais da AP, contribuindo em simultâneo para uma melhoria significativa do serviço prestado a cidadãos, investidores e empresas".
Tendências como a mobilidade e o social media podem contribuir de forma significativa para uma evolução estrutural dos modelos de prestação de serviço, aumentando a proximidade e envolvimento com os cidadãos. E o aproveitamento eficaz das tecnologias de mobilidade, colaboração e desmaterialização de processos poderá traduzir-se num aumento significativo da produtividade e capacidade de atuação da AP. Já as tecnologias de business intelligence e data analitics fornecem um instrumento poderoso para a otimização da informação de gestão e do suporte à decisão e proporcionam, em conjugação com modelos de Open Government, um poderoso veículo de aumento da transparência e accountability pública. Ao nível da racionalização dos custos com as TIC, uma aposta mais estrutural e consequente na cloud e nas unified communications poderá viabilizar a melhoria significativa dos níveis de serviço público e a redução substancial dos custos com a respetiva infraestrutura tecnológica.

RETALHO EM PROCESSO DE REINVENÇÃO

Necessidade de criar experiências diferenciadoras, realidade omni-canal, operações integradas e eficientes e necessidade de saber alavancar o poder da informação surgem como as grandes tendências no Retalho a que as TIC poderão dar resposta. O setor vive hoje um período de transformação profunda em toda a cadeia de valor, em consequência da conjugação de vários fatores. A conjuntura de crise levou à redução do consumo, obrigando os retalhistas a adaptar-se à nova realidade económica, com reduções e esmagamento de preços, o que reduziu a sua capacidade de investimento. Em resultado da digitalização, o consumidor mudou é mais informado e exige novos tipos de ofertas e formas de comprar. E aumenta a concorrência dos pure-players digitais, que coloca desafios adicionais aos retalhistas tradicionais.
Este é um cenário que está a obrigar o setor a reinventar-se, com a redefinição de novos modelos de negócio e propostas de valor diferenciadoras e personalizadas. O que exige um foco cada vez maior das organizações na eficiência e otimização das estruturas de distribuição. Tendo o setor uma cadeia de abastecimento focalizada na resposta aos canais de venda tradicionais, a realidade omni-canal representa uma disrupção de paradigma ao qual a larga maioria dos retalhistas ainda se está a adaptar. 
Com os consumidores cada vez mais no centro da tomada de decisão das empresas. E não sendo o preço o único driver da compra, impõe-se que seja fornecida toda a experiência de compra: loja física, integração de canais de venda, qualidade do serviço prestado e diversidade da oferta. Para conseguir oferecer a melhor experiência ao cliente e fidelizá-lo, há que ter a capacidade de processar e antecipar padrões e tendências de consumo, personalizar a oferta e dar um serviço eficiente em todos os canais. A criação de parcerias nas várias áreas, desde a logística à tecnologia, poderá ser um enabler para fortalecer a proposta de valor para o consumidor, sugere o estudo. Que refere ainda que as novas tecnologias estão a obrigar o Retalho tradicional a sair da sua zona de conforto, com alterações em toda a cadeia de valor, desde a segmentação de consumidores e a definição de estratégias de sourcing de produtos e serviços, até à localização dos centros de distribuição, gestão de inventários, serviços de entregas e devoluções. 
O estudo considera que a estratégia de redução de preços e de esmagamento de margens está a pressionar fortemente os fornecedores e o tecido produtivo português (ainda em processo de estruturação), com impactos na capacidade e prioridades de investimento do setor no médio e longo prazo. Acresce que a resposta ao mercado coloca um grau de complexidade cada vez maior aos retalhistas, tando na compreensão do consumidor como no desenvolvimento de mecanismos e ferramentas. A resposta a estas barreiras, capitalizada nas potencialidades das TIC, impulsionará o crescimento económico e uma transformação mais célere do setor. 
O estudo indica os três drivers principais que permitem sustentar a criação de uma estratégia omni-canal eficiente e dinâmica: assegurar uma presença contínua no ecossistema dos consumidores; identificar os pontos de contacto preferenciais; e ser relevante e diferenciador. As TIC poderão aqui servir como potencial alavanca para uma melhor gestão e análise de informação, com vista à personalização de experiências omni-canal e a uma gestão mais eficiente de devoluções e inventários, com a implementação de ferramentas que permitem monitorizar tendências de consumo e padrões de interação, bem como resposta a desafios de monitorização de receitas/custos por canal. Mas uma realidade omni-canal impõe a integração transversal das operações e a eficiência, que só poderá ser feita através do recurso às ferramentas TIC. Estas também terão um papel crítico no desafio de gerir e analisar a informação. 

SMART CITIES: GARANTIR INOVAÇÃO E SUSTENTABILIDADE

Pessoas, recursos e transportes, segurança e emergências e gestão e planeamento assumem-se como as grandes tendências das smart cities, num altura em que se entrou na ‘era urbana', com enormes consequências nas infraestruturas das cidades e ao nível económico. Sendo as cidades baseadas num número de sistemas nucleares e centrais, compostos por diferentes redes, infraestruturas e ambientes, todos relacionados entre si e organizados ao redor dos serviços, cidadãos, negócios, transportes, comunicações, água e energia, elas só poderão sobreviver se for houver um fluxo de pessoas e abundância que se traduzam em massa crítica para assegurar níveis estáveis de emprego, tornando-se uma plataforma de eficiência coletiva.
Em Portugal, a previsão aponta para que 7 milhões de pessoas habitem nas cidades nos próximos cinco anos. Ou seja, ou seja, até 2020 cerca de 66% de toda a população viverá em cidades, com uma enorme concentração no litoral e um abandono crescente do interior. Com esta perspetiva, impõe-se que as cidades ganhem maior controlo sobre o seu desenvolvimento económico, político e tecnológico. E para isso, o estudo da APDC salienta que só se poderão tornar inteligentes e aproveitar as oportunidades de crescimento se liderarem com visão e conhecimento, assegurarem infraestruturas sustentáveis e resilientes e facilitarem a produtividade e bem-estar dos seus cidadãos.
Um dos pontos centrais de crescimento, valor económico e diferenciação competitiva das cidades resultará cada vez mais de pessoas e das suas competências, criatividade e conhecimento e da capacidade da economia para criar e absorver a inovação. Num mundo com um nível sem precedentes de urbanização e globalização, é cada vez mais nas cidades que se concentra a grande percentagem da população mais qualificada, dando origem a grupos de conhecimento especializado e em rede. Para garantir o seu desenvolvimento económico e social, as smart cities terão que alterar as estratégias de investimento para atrair pessoas com mais qualificações académicas e profissionais e organizar a cidade ao redor de uma economia com base no conhecimento. Um dos fatores determinantes para o desenvolvimento é a existência de um sistema de transportes eficiente, bem gerido de fácil acesso. Uma rede inteligente de transportes permitirá atrair mais pessoas à cidade um fluxo eficiente de mercadorias entre a produção e o consumo.
Assegurar a resiliência dos sistemas de segurança e emergências é outra tendência das smart cities, através do uso das TIC, que permitem quebrar as barreiras levantadas pelos diversos silos operacionais que naturalmente se formam ao redor das diversas forças de emergência. Até porque a pressão sobre os governantes das cidades para tomarem as melhores opções, apresentarem resultados e serem responsabilizados pelas consequências das suas decisões está a intensificar-se. O que exige a implementação de modelos de gestão e planeamento baseado em informação fiável, atualizada e sempre que possível em tempo real. O que lhes permitirá melhorar o serviço ao cidadão e reduzir custos operacionais; compreender o estado de utilização das infraestruturas e poder prever o seu comportamento futuro com base nos níveis de utilização e desempenhos anteriores; identificar os projetos estruturantes da cidade; e reduzir os custos de execução dos projetos, através de sinergias tornadas possíveis através da análise dos dados.  
Com o aumento significativo da utilização das TIC e a adoção de novas tecnologias e formas de colaboração entre as pessoas, como as redes sociais, os dispositivos móveis, as ferramentas analíticas e o acesso à cloud, estão a alterar-se as expetativas das pessoas, O que obriga à necessidade de mudança na forma como os governos das cidades interagem com os seus cidadãos, cada vez mais informados, ligados e autónomos. O estudo considera que uma gestão mais eficiente das cidades e uma melhor interação entre as empresas do ecossistema e os cidadãos passa pela aposta na internet das coisas e no cloud computing e pela adoção de plataformas de controlo operacional. Estas ajudam as cidades e as regiões a gerir um ambiente complexo, fazendo a integração, correlação e monitorização dos processos de gestão autárquica usando ferramentas analíticas que facilitam as tomadas de decisão. As cidades terão ainda que ter em conta a crescente utilização dos dispositivos móveis e do social media nas suas soluções de mobilidade e de gestão, assim como os open data e big data, que constituem a base para novos serviços e inovação e novas formas de colaboração com os cidadãos e potenciam o crescimento económico sustentado.