Evento APDC

20.02



Executive Breakfast

"Energia: uma nova era"

"Energia: uma nova era" foi o mote do primeiro encontro no âmbito do Ciclo Executive Breakfasts 2014. Esta iniciativa pretende dar sequência ao trabalho desenvolvido em 2013 sobre "Tendências de Negócio e o Papel das TIC", com o debate em torno das tendências já identificadas e das respostas das TIC. Estiveram presentes os responsáveis de TI da EDP, Galp Energia e REN, num evento que contou com o patrocínio da Accenture. Num setor em profunda transformação, cresce a complexidade e aumentam os desafios. As TIC assumem um papel crítico e incontornável, já que a adoção de ferramentas tecnológicas permitirá a construção de um ambiente mais smart e digital em todas as vertentes do negócio, sendo uma alavanca essencial de mudança. Uma mudança que se impõe num mercado onde a instabilidade da regulação e a instabilidade política, a par da liberalização total, se assumem como os grandes desafios. Já as ferramentas e soluções TIC são vistas pelas empresas como verdadeiras oportunidades para ganhar eficiência, reduzir custos, flexibilizar processos, reter e formar talento, desenvolver novas ofertas e reforçar a relação com o cliente. Segurança e gestão do risco são aqui essenciais.

Com o mote "The Digital Utility: Transforming for value and growth", o orador convidado deste Executive Breakfast, Gregory Bolino, abordou o tema das oportunidades digitais para as utilities de energia e quais deverão ser as agendas dos responsáveis de TI das empresas deste setor. Para o Managing Director da Accenture na área de Estratégia, o poder de transformação da tecnologia já era antecipado há muito como à concorrência, à liberalização e à modernização das organizações. E como potenciador da transformação das cadeias de valor dos negócios. Depois de nos anos mais recentes, as empresas da área das telecomunicações e das tecnologias de informação terem feito "coisas que não eram imagináveis", surge hoje um mundo de oportunidades por aproveitar e que oferecem grande potencial. Até porque, como defende "grande parte das oportunidades que foram aproveitadas ou percecionadas são ainda em muito pequena escala face ao que é possível fazer".

E nas utilities, esse potencial assume uma importância crucial, já que o setor tem registado nos últimos anos uma queda significativa das suas operações. E a maioria dos gestores destas companhias tem expetativas de crescimentos negativos. Os riscos, a falta de crescimento, as alterações regulatórias, a falta de procura, entre outros estão a colocar grande pressão sobre as utilites e sobre as suas perspetivas de crescimento. "A indústria enfrenta um desafio sobre o qual não tem certezas. Não sabem se é uma oportunidade ou uma ameaça. Creio que é ambas as coisas", refere, adiantando que olhando para a cadeia de valor das utilities é visível que "já há coisas a acontecer e capacidades a emergir", citando os casos dos smart meters ou das redes inteligentes. A "cadeia de valor já se está a tornar digital", mas há áreas onde isso não está a ocorrer, porque há constrangimentos.

Uma das questões-chave do sector da energia é para o orador a grande dificuldade de encontrar novos produtos e serviços que permitam o crescimento. Com o digital, as oportunidades são grandes. E há já muitas utilities que estão a tentar oferecer produtos e serviços inovadores e a fazerem uma aproximação crescente ao cliente, que quer cada vez mais novas ofertas. Também na área das redes e da produção, multiplicam-se os exemplos de utilização do digital. Mas se "as possibilidades são muito poderosas e já estão a ser adotadas", ainda não estão a ser adotadas em escala pelas utilities. Esta adoção massiva de soluções digitais em todas as áreas de negócio implica uma mudança cultural profunda. "Terá que haver uma mudança completa de culturas, para uma oferta multiplataforma e multicanal. E isso será um enorme desafio". Mas o caminho terá de ser o de investir num novo conjunto de tecnologias, através de parcerias, com mudanças de gestão com talento.

DESAFIOS DE MERCADO E DE TECNOLOGIA

No mercado nacional, os grandes operadores de energia já estão, a velocidades distintas, a apostar fortemente no digital e nas ferramentas tecnológicas, como forma de dar resposta a um mercado onde se multiplicam os desafios. Para Virgílio Rocha, diretor corporativo da EDP, o principal desafio é a enorme instabilidade que persiste. "Nunca se sabe como será o dia de amanhã. Estamos fortemente influenciados por fatores regulatórios, que são imprevisíveis" e que têm impactos financeiros. Acresce a "a instabilidade política" e os diferentes posicionamentos face ao setor energético. Por isso, destaca que "o digital não é o que mais me preocupa, enquanto diretor de IT. O que me preocupa é criar graus de liberdade, do ponto de vista tecnológico, que facilitem a operação, num contexto de enorme instabilidade e de indefinição sobre os desafios com que nos vamos confrontar amanhã". A liberalização do mercado e a eficiência são também desafios a enfrentar. Num mercado aberto à concorrência, há que saber lidar com o cliente, captando novas adesões e evitando o churn, o que não era até agora uma preocupação nas utilities. E numa utilitie madura, onde a eficiência é central, a abordagem tem que ser do lado da redução de custos, mais do que no investimento.

Manuel Ferreira, diretor de Sistemas de Informação da Galp Energia, destaca os mesmos desafios do seu ‘concorrente', salientando as implicações que a regulação e a liberalização do mercado têm para as empresas em termos de TI, que são "difíceis de gerir". Numa altura em que "a eficiência, porque vivemos em tempos difíceis, é fundamental para a sobrevivência", surge também como crítica a componente da segurança. E como é que o IT pode ajudar? "Dando capacidade de fazer mais eficiente, de fazer mais com menos, de ter o controlo sobre os custos, porque o custo tem um impacto direto sobre o resultado". Assim como a "a capacidade de poder dar diferente aos clientes, com novos produtos, novas soluções e novas parcerias. O IT tem que ser o enabler, não pode ser um a entidade que cria barreira". O capital humano também é essencial e a tecnologia poderá aqui reter e ajudar o seu desenvolvimento.

"A pressão enorme para a redução de custos operacionais" é destacada por Tiago Azevedo, diretor de Sistemas de Informação da REN, perante as pressões regulatórias e a queda de receitas. E as tendências próprias do setor, como a descarbonização, a microprodução ou as renováveis, exigem ainda às empresas a necessidade de serem ágeis na capacidade de respostas. Por isso, há uma crescente pressão para "começar criar e fazer coisas para manter ou fazer crescer os resultados operacionais". E as tecnologias podem ajudar nesta transformação. "Estamos numa era que que devemos digitalizar os processos e as operações, criando tecnologia de suporte", explica. Com a aposta em processos automatizados e a digitalização da gestão dos ativos. Tendências das TIC como a cloud, a mobilidade ou o big data são vistas não como desafios mas oportunidades. "A maturidade da tecnologia dá-nos a oportunidade de conseguirmos aplicá-la aos desafios do setor. As tecnologias servem como veículo para conseguirmos responder mais rapidamente às pressões que o setor sofre. Ganhamos agilidade e rapidez de resposta aos desafios que nos são colocados", acrescenta.

E a questão hoje não está, para Manuel Ferreira, tanto na tecnologia mas mais nas pessoas. Estas têm que estar focadas nos mesmos objetivos e aqui a tecnologia pode ajudar. Há que conseguir oferecer ao negócio a capacidade de rapidamente interagir no mercado, endereçado necessidades do mercado, seja com novos modelos de negócio ou novos processos. "A tecnologia tem que dar a capacidade da empresa perceber o que é que o mercado quer, ler e atuar rapidamente", refere.

Um dos temas chave que se coloca hoje às TI nas utilities é, para Virgílio Rocha, a gestão do risco e a sua minimização. E a segurança é aqui uma questão central, que estará cada vez mais presente na atividade das TI nos próximos anos. "Gerimos infraestruturas críticas, que podem parar o País. Temos responsabilidades que nos obrigam a olhar apara os aspetos da segurança e para a minimização do risco nesse domínio de uma forma muito particular", explica. Tudo o resto "não são os verdadeiros desafios", de bem que destaque duas tendências que vão marcar o setor: a analítica e a Internet das coisas. "Vão passar-se coisas fantásticas na área de analytics. E, sendo empresas de capital intensivo, temos muitos equipamentos. A internet das coisas já está e vai criar ainda mais realidades novas. Que possibilitarão que façamos isto de forma diferente."

A velocidades diferentes, as três utilities estão cada vez mais a transformar-se em empresas tecnológicas. Com o desenvolvimento de uma série de projetos e iniciativas em todas as áreas, desde a segurança à gestão inteligente das redes, à redução de custos, à gestão de recursos humanos, aos processos de negócios, ao desenvolvimento de novas ofertas e ao relacionamento com o cliente. São projetos de transformação digital que passam por exemplo, no caso da EDP, pela passagem este ano de todo o email do grupo em todos os mercados para a cloud, um projeto "ambicioso" com o qual se pretende "lançar desafios na cultura e organização".

E todos utilizam, em maior ou menos dimensão, os serviços tecnológicos em outsourcing. Na EDP, 80% da sua atividade é feita fora de casa há pelo menos 10 anos, como explica Virgílio Rocha. "Os modelos de compra de serviços são muito atrativos, particularmente em tudo o que não é core", diz, garantindo que a "tendência é inelutável", tendo que ser "gerida com inteligência". Também na Galp, a estratégia é centrar os recursos da empresa na sua atividade core, recorrendo-se ao outsourcing nas demais atividades. E sempre garantindo as melhores soluções tecnológicas na oferta de serviços, com contratos que permitem a troca de fornecedor com alguma facilidade, como explica Manuel Ferreira. Na REN. Em pleno processo de transformação da organização e de introdução do digital, estão "completamente abertos a qualquer modelo de sourcing que faça sentido. Vemos todas as situações caso a caso. Não acreditamos num modelo em que caiba tudo", diz Tiago Azevedo.





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