Evento APDC

11.05
Conferência



Responder às necessidades do mercado

"LTE: Mobilidade a Alta Velocidade - como e quando?"

De acordo com Pedro Norton, o sector das TIC e New Media está cada vez mais presente nos diversos domínios da economia. E esta indústria "tem a obrigação de ser um factor de competitividade acrescida na economia portuguesa e um motor de desenvolvimento do País. Podemos e devemos, num momento de tantas e tão difíceis encruzilhadas, ser o acelerador de uma mudança que possa fazer de Portugal uma sociedade simultaneamente mais competitiva, mais justa e mais equitativa".
O presidente da APDC, que falava na Sessão de Abertura da Conferência "LTE: Mobilidade a Alta Velocidade - como e quando?", salientou que com o processo, em marcha, da introdução da alta velocidade nas redes móveis, Portugal terá todas as condições para se transformar num exemplo a seguir em toda a UE. Mas considera que, para que "o sector consiga fazer a diferença, há que definir de forma clara, prospectiva e inteligente a agenda de todo este processo, que se assume como um processo de verdadeira mudança estrutural. Terão que ser definidas novas estratégias, novos modelos de negócio e novas ofertas para dar resposta a novas exigências de uma Sociedade e de uma Economia em transformação profunda".
É neste âmbito que a APDC, "perfilando-se como plataforma das TIC e New Media, actuando proactivamente como agenda setter e fazendo uma defesa clara dos interesses da indústria como um todo, tem um papel central". Ao apostar na geração de inteligência colectiva à escala nacional e global, criando ideias, promovendo debates, produzindo conhecimento e divulgando-o. Foi exactamente esse o objectivo da conferência sobre LTE: debater as grandes temáticas entre todos os players da cadeia de valor.
Georgios Ierodieconou, da CITI, defende que qualquer nova tecnologia tem o potencial de disrupção e de criar maior concorrência. Mas qualquer investimento precisa de um cenário claro e certo. E nos anos recentes, a maior parte dos operadores de comunicações reduziram os seus investimentos e apostaram no maior retorno para os seus accionistas. Mas o crescimento recente do negócio dos dados e a concorrência estão a exigir novos investimentos nas redes móveis.
Por isso, para este consultor, que falava na sessão sobre "LTE: Agenda Digital ou Encaixe Financeiro?", o timing para o LTE não poderia ser melhor. Desde 2009 que o crescimento dos dados tem sido explosivo e há problemas de capacidade das redes para dar resposta à procura desencadeada pelos smartphones. Será necessário o desenvolvimento de novos modelos de negócio para os operadores poderem ligar com "uma nova era". E este é um grande desafio, principalmente nos mercados onde dominam os produtos pré-pagos. Novas aplicações e necessidade de maior largura de banda levarão inevitavelmente a novos modelos de negócio no mercado móvel europeu. Os operadores terão que ser cada vez mais flexíveis, numa conjuntura em que há dificuldades em investir massivamente em novas tecnologias, face à quebra das receitas e das margens. Para este responsável, "o LTE é um passo natural mas que irá revolucionar a indústria", sendo um passo decisivo para redes mais inteligentes e eficientes.
Peter Dunn, da Cullen International, não tem dúvidas de que a banda larga se tornou factor de competitividade na Europa. E o LTE é crítico para levar o acesso a alta velocidade às regiões remotas. Depois dos leilões de 3G, onde uma enorme quantidade de dinheiro foi transferida da indústria para os governos europeus, todos temem que os investimentos possam ser agora mais elevados que no passado. Mas o ambiente de mercado é hoje claramente diferente: as pessoas estão mais cautelosas e não têm o dinheiro que tinham antes. Nos leilões de LTE já realizados na Europa não se tem registado uma entrada significativa de novos investidores. E o espectro mais valioso foi sempre ganho por operadores já estabelecidos. Há "uma ideia mais clara e realística do valor e da utilização do espectro radioeléctrico e da importância da cobertura móvel".
Também no mercado nacional a atribuição de espectro para permitir a introdução do LTE está a avançar. Ferrari Careto, administrador da Anacom, refere que o regulador sectorial está neste momento a analisar as respostas do sector - sete respostas à consulta sobre os direitos utilização e dez respostas à consulta pública sobre o regulamento do leilão - onde as posições são muito distintas, defendendo-se os interesses próprios de cada player. Este é um processo que decorre desde 2006, com o regulador a desenvolver uma política de gestão de espectro assente na neutralidade tecnológica e na flexibilidade".
E este responsável deixa claro que "o leilão multi-faixas responde a todas as decisões que o regulador foi partilhando com o mercado ao longo dos últimos anos. É algo que estava programado e discutido", de acordo com o papel do regulador, de disponibilizar o espectro, promover concorrência efectiva e garantir a utilização efectiva e eficiente das frequências. Adianta ainda que foi tida em consideração facilitar a entrada de novos actores no mercado.

Evolução e revolução
Os fabricantes/integradores e os instaladores do mercado nacional não têm dúvidas de que o boom de equipamentos inteligentes, com destaque para os smartphones e os tablets, exige a transição das redes para a tecnologia LTE. E a generalidade defende que esta será uma evolução natural das infra-estrutruas móveis, ao mesmo tempo que representará para os consumidores/clientes uma verdadeira revolução. Na sessão sobre "Evolução ou uma Revolução?", Cláudia Queirós, da Ericsson, entende mesmo que "a maior oportunidade para o LTE são os smartphones. Eles vão duplicar a transferência de dados que existe hoje". Só este ano deverão surgir mais de 400 milhões de smartphones e é necessário ter as redes preparadas para os novos dispositivos. Quem não adequar a oferta à procura e definir a oferta certa ao preço certo, com diferenciação de produto em termos de velocidade, uso e tráfego, não conseguirá ter sucesso. Terão de ser criados pacotes personalizados de serviços e cada operador terá de definir o mercado onde se quer posicionar na cadeia de valor para capturar novos tipos de receitas.
José Vilela, da Alcatel Lucent, defende que entre 2011 e 2015 o tráfego de dados móveis vai crescer 30 vezes. E com os leilões de LTE, o mercado vai conseguir ter 5 a 6 vezes mais de capacidade que tem agora, em termos de oferta de acesso. Haverá economias de escala muito grandes. Mas nem sequer o LTE vai chegar para todos os novos devices. Eles vão esgotar a capacidade e cada vez mais vamos precisar de novas tecnologias. Que permitirão novos serviços e novos dispositivos, que hoje ainda são impossíveis de prever.
Para Mário Pimentel, da Nokia Siemens Networks, há vários motivos pelos quais o LTE pode ser um sucesso. Como a melhor experiência, um maior ARPU e ofertas mais sofisticadas- Esta tecnologia será utilizada para reposicionar a oferta de banda larga móvel, numa evolução tecnológica relativamente simples. Mas terá de haver um equilíbrio entre o valor do serviço e o preço que o utilizador está disposto a pagar. E aqui, todo o ecossistema será fundamental.
Esta é, segundo Pablo Brito, da Huawei, uma grande oportunidade e um desafio. Trata-se de "uma revolução da sociedade. Mas não é uma revolução no investimento, é uma renovação e maximização dos activos dos operadores". E, sendo o enabler de novos serviços, permitirá aos operadores um aumento da eficiência e a oferta de novos serviços, como defende Virgínia Teixeira, da Cisco. Permite a simplificação da arquitectura da rede e uma maior eficiência espectral, assim como uma revolução na oferta de serviços. Neste âmbito, a partilha de redes defendida por alguns operadores do mercado, torna mais difícil a diferenciação dos serviços e o modelo de negócio de cada operador.
E para Miguel Sampayo Ribeiro, da Telcabo, a qualidade da rede será um factor diferenciador. Poderá haver partilha de parte das infra-estruturas. Mas o problema é saber o que acontece com o controle dos clientes". Hoje, o "LTE é a tecnologia móvel com o desenvolvimento mais rápido de sempre", salienta Rui Louro, da CBE, já que o  aumento de dados na rede impulsiona e obriga os operadores móveis a investimentos. E as redes LTE trazem melhor conectividade, mais velocidade, mais flexibilidade e menor latência.
Operadores defendem smart pipe
Os operadores de comunicações ainda estão à procura das killer applications para o LTE. Apesar de reconhecerem que os equipamentos móveis cada vez mais inteligentes exigem crescente largura de banda, pelo que o investimento nas redes é inevitável. O objectivo é fazer destas redes uma infra-estrutura cada vez mais inteligente, com a oferta de serviços diferenciadores e que dêem resposta às necessidades e desejos dos clientes. Na sessão "Dumb Pipe or Smart Pipe?", Alfredo Baptista, da Portugal Telecom, defendeu que a aposta no móvel passa pela inovação numa base tecnológica, com ciclos cada vez mais rápidos e disruptivos, e na excelência operacional. Depois de novos negócios como a Google terem vindo baralhar o negócio tradicional de comunicações, o sector está a adaptar-se e a reagir a um novo paradigma. E o LTE assume papel fulcral, ao permitir um enriquecimento dos serviços e a melhoria da experiência do utilizador. Oferece maior facilidade de acesso a conteúdos e novas aplicações potenciais, como o web-browsing, que será um salto qualitativo. Há é que criar condições que permitam o desenvolvimento do negócio com capacidade de adaptação permanente.
Jorge Capelas Fernandes, da Vodafone Portugal, admite que "existem mais perguntas do que respostas sobre o LTE". Para os clientes móveis, o que interessa é o serviço final . Por isso, os operadores móveis têm que fornecer serviços competitivos e de qualidade, que sejam também rentáveis. E não tem dúvidas de que "a internet do futuro não se pode controlar e influenciar, vai acontecer naturalmente. Os operadores devem ter capacidade de reagir". Ao dar aos operadores a informação sobre o cliente e as suas necessidades de comunicações, o LTE é um "very smart pipe". Num cenário em que os recursos são limitados e há que saber diferenciar-se positivamente. E alerta: "o tempo de investir muito no desenvolvimento de um serviço terminou. Estamos a concorrer com os over-the-top. Temos que ser mais cuidadosos".
"O LTE permite dar resposta às necessidades de qualidade de experiência de vídeo e de social webbing", defende José Pinto Correia, da Optimus. Sendo uma evolução natural das redes 3G, dá resposta às principais tendências do mercado. E reafirma que o grupo que integra está aberto a negociar qualquer tipo de partilha da rede LTE. Há vários cenários em aberto.
Conteúdos procuram negócio
Um dos sectores da cadeia de valor das comunicações que se está a ressentir mais da revolução trazida pelo digital e pelo online é o da produção de conteúdos. Saber como rentabilizar o negócio e definir novos modelos vencedores é o desafio, numa altura em que os negócios tradicionais estão em queda, principalmente com o recuo da publicidade. Na sessão que reuniu os principais grupos de media presentes em Portugal, com o mote "Back to the Future", Francisco Teotónio Pereira, da RTP, entende que "estamos a lidar com uma mudança de paradigma a todos os níveis". Se o grande segredo da Internet foi a disponibilização de conteúdos gratuitos, o facto é que são os produtores de conteúdos os únicos da cadeia de valor a não ganhar dinheiro com esta área de negócio. "O valor de mercado está em quem tem o acesso ao cliente. A imprensa e televisão com o digital foram perdendo esse acesso directo", defende.
Para Henrique Monteiro, do grupo Impresa, é impossível para qualquer projecto de conteúdos na internet fazer dinheiro para sobreviver sozinho. O caminho poderá passar pela cobrança de conteúdos com valor acrescentado. Mas a indústria dos media em todo o mundo está baralhada com o modelo de negócio que deve seguir. "Estamos muito agarrados ao suporte. Mas devemos estar agarrados aos conteúdos que é o que fazemos melhor e com valor acrescentado", disse.
Pedro Araújo e Sá, da Cofina, entende que é preciso compreender o consumidor para depois se poder definir o modelo de negócio a aplicar. Com a mobilidade o consumidor passou a ser multi-plataforma e neste cenário o pagamento dos conteúdos não tem a ver com a qualidade, mas sim com o seu carácter exclusivo e relevante. E não tem dúvidas de que "temos que estar presentes em todos os momentos de consumo, com todos os devices adequados" , sendo a marca uma referência e um valor que temos de explorar no mundo dos media.
Este é um mercado muito complexo para todos os intervenientes, diz Pedro Nunes Pedro, do Público (Sonaecom). O conceito tradicional de oferta de conteúdos assente na publicidade tende a desaparecer, mas a maior parte dos grupos de média em Portugal tem de continuar a viver com o papel e continuar a procurar novas fontes de receita no online. Porque a dimensão da oferta para novas plataformas, como o iPad, ainda é muito pequena.
Todos procuram um modelo de negócio certo e não há quaisquer certezas quanto ao futuro. Para Rolando Oliveira, da Controlinveste, há que aprender com os erros do passado. "Nos grupos de comunicação social, uma das lições que tivemos é que temos de ter cuidado com a dimensão e com os recursos alocados". E hoje, "ninguém tem modelos de negócio demonstráveis da rentabilidade do negócio digital".  "Não tenho nenhumas certezas, penso a 2/3 anos para ver se consigo antecipar algumas coisas", diz, adiantando que o digital é o futuro. "Nenhum grupo se pode dar ao luxo de não estar presente no online. Mas é a menor parte das nossas receitas. Temos de investir sempre com dimensão e com alguma contenção. Estamos um pouco a navegar à vista".
Esta é, de facto, uma verdadeira mudança de paradigma. Rudolf Gruner, da Media Capital, garante que se pode e deve mudar, "apesar de todos os erros que possam ter sido cometidos no passado". Adianta que "está nas nossas mãos, produtores de conteúdos, fazer algo significativo que justifique que as pessoas estejam dispostas a pagar". Hoje, a oferta para tablets e smartphones é apenas uma réplica pura do mundo internet. E "pagar conteúdos em mobilidade só irá acontecer se forem oferecidos conteúdos especiais".


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