Evento APDC

16.01
Executive-Breakfast



Patrocinador(es) Executive-Breakfast

Do ciclo "Powering the Digital Economy"

"Powering the Circular Economy of the Future"

REPORTAGEM DETALHADA | VÍDEO | APRESENTAÇÕES 

As empresas nacionais estão a dar passos na economia circular. Multiplicam-se os exemplos em várias áreas, com resultados evidentes e positivos. Reutilizar terá, cada vez mais, que ser a aposta, através da definição de estratégias e de um novo modelo circular, onde a inovação e a tecnologia têm um papel fundamental. Mas há ainda muito trabalho por fazer. A começar pelas políticas públicas e pela regulação que promova a sustentabilidade. O futuro pede ainda colaboração e parcerias na cadeia de valor, para criar um verdadeiro ecossistema e potenciar a mudança de paradigma do país. 

As alterações climáticas são hoje o maior problema do mundo e estamos a vê-las todos os dias. Os recursos naturais são cada vez mais escassos - prevê-se que em 2025, dois terços da população mundial tenha problemas de água, por exemplo, porque estamos a consumir mais rapidamente os recursos do que a velocidade a que estes se conseguem regenerar. A manter-se a atual situação, em 2050 vamos precisar do equivalente a 4 planetas em termos de recursos. Os alertas são de Raquel Espada Martin, EMEAS VP Energy and Sustainability Services da Schneider Electric.

Falando sobre "Living By Principles - Business Resiliency Through Increased Circularity", a keynote speaker do Digital Business Breakfast APDC sobre "Powering the Circular Economy of the Future", o 3º e último encontro de um ciclo de três iniciativas com o mote "Powering the Digital Economy", destacou o impacto brutal que esta realidade começa a ter também nas empresas. Estas terão que, obrigatoriamente, avançar para estratégias assentes na economia circular.

Para a oradora, o atual modelo linear é totalmente insustentável e não se poderá manter. Terá que se avançar para um novo sistema circular, que representa uma "mudança de paradigma e de mentalidades". Graças à inovação e à tecnologia, é algo que já está a acontecer em muitas organizações, criando novas oportunidades de negócio.

"As empresas que sejam capazes de adaptar os seus modelos de negócio serão as que sobreviverão e ficarão a longo-prazo. Temos que aprender a reutilizar as coisas. Os recursos são os que temos e não vai haver mais. O que precisamos é fazer de outra maneira", destacou.

Utilizar os recursos naturais da melhor maneira possível, maximizar o seu uso e evitar o desperdício terão que ser princípios, no sentido de oferecer novos serviços sustentáveis. E há muitos exemplos de empresas que já se estão a mobilizar, como a Nike (74% do seu equipamento já vem de produtos recicláveis) e a Michelin (com uma abordagem de venda de pneus como serviço).

O próprio mercado vai obrigar à mudança, não apenas na vertente da regulação, que na Europa será "muito mais agressiva" em termos de economia circular, com as metas de descarbonização, mas também por pressão do consumidor, que quer ver cada vez mais comportamentos sustentáveis.

A oradora defende que, para se definir uma estratégia de sustentabilidade, o primeiro passo por se saber onde se está. A partir daí definem-se os objetivos, internos e externos, que depois têm que se implementar e monitorizar. A governança surge como o tema mais problemático no processo, assim como as pessoas. É preciso trabalhar o tema de forma integrada, acabando com os silos. O engagement com stakeholders externos é também essência, assim como assegurar um consistente e forte suporte da gestão de topo. E colaborar com parceiros externos, nomeadamente outras empresas, para ganhar dimensão.

"A sustentabilidade é um ativo. Creio que é importante o tema de inovação e cocriação para os novos modelos de negócio, fazendo alianças e criando um ecossistema de parceiros. Permite uma execução total dos modelos de negócio, porque todos são agentes da mudança", concluiu.

REALIDADE OBRIGA A ACELERAR A MUDANÇA

As empresas portuguesas dos vários setores de atividade estão bem conscientes da necessidade da mudança e da adoção de uma estratégia assente na economia circular. Sabendo que este é um caminho inexorável, já dão passos largos neste âmbito, embora admitam o muito que há ainda por fazer. Não apenas da sua parte, mas também dos poderes públicos, da regulação e dos próprios cidadãos/consumidores, como ficou bem patente na sessão de debate que se seguiu, moderada por Filipe Alves, diretor do Jornal Económico.

"A economia circular tem que, forçosamente, ser uma oportunidade em todo o lado", começa por dizer Fernando Santana, presidente da Academia de Engenharia, que destaca no entanto três problemas. A começar pelo facto de não haver um direito global de gestão de recursos, o que permite fazer diferente de país para país. Segue-se a necessidade de criar valor, porque sem isso "tudo passa por boas intenções e discursos, mas resultados pequenos". Por fim, refere o comportamento social dos cidadãos, que "vivem um dilema grande: querem ter emprego, crescimento e qualidade de vida e querem que o ambiente e os recursos sejam bem tratados".

Na Galp Energia, a economia circular é vista como "uma oportunidade de crescimento futuro", diz Hugo Pereira, Head of New Energies Division da empresa, que foi pioneira em Portugal na produção de energia exclusivamente a partir de resíduos. Desde 2012 que tem uma unidade de produção que utiliza 100% de resíduos. Foi a partir daí que o grupo começou a adquirir know-how e tentou desenvolver uma estratégia.

Mas, como refere o gestor, o desafio é perceber qual é o modelo de negócio que seja competitivo a médio e longo-prazo. Os temas da regulação e da incerteza legislativa também são desafios, defendendo que "os incentivos corretos são necessários para os investidores poderem tomar essas decisões.  Acho que o Governo e o regulador poderiam fazer muito mais para tornar este negócio apetecível".

José Melo Bandeira, CEO da Veolia, não tem dúvidas: "a realidade é conhecida e está a acontecer. O que significa que a urgência e a emergência da ação é absolutamente brutal, assim como a responsabilidade". Empresas e cidades são, claramente, "os veículos da mudança que pode ser feita à volta destes temas".

"Hoje, não já desculpa para não o fazer, do ponto de vista da tecnologia e do saber. Não há nada que a tecnologia não resolva já. A dificuldade é, necessariamente, a equação económica", destaca este responsável. Para quem, se as políticas são importantes, "estão criadas as condições para as empresas serem os motores da transformação. Para Portugal, é claramente uma necessidade e uma oportunidade brutal". Citando vários bons exemplos do que já é feito à volta da economia circular, assegura que "temos muito trabalho para fazer".

"É claro para todos que temos um problema, já. Esta é claramente uma emergência e uma grande oportunidade. Estamos a falar de um modelo diferente, de uma nova forma de fazer as coisas", acrescenta Pedro Lago - Diretor Sustentabilidade /Economia Circular da SonaeMC. O que, no retalho, obriga a repensar toda a cadeia do negócio, repensando processos e utilizando tecnologia.

Não tendo dúvidas de que "as coisas estão a mudar muito rapidamente", destaca que no imediato a utilização mais eficiente dos recursos fica mais caro. Por exemplo, quase todos os produtos reciclados são mais caros que os virgens e a taxação tem vindo a ser um método muito eficiente. Mas começa a surgir um "efeito mobilizador mais forte, que é a vontade das pessoas", cada vez mais conscientes do tema, embora ainda não estejam dispostas a pagar mais por produtos mais sustentáveis.

Neste caminho para a economia circular, todos têm um papel crucial. A começar pelo Estado e pela regulação. Fernando Santana, referindo que a realidade mostra que se estão a multiplicar as iniciativas de economia circular, diz que a verdade é que muito do que faz corresponde apenas às práticas que seriam normais adotarem-se.Subsistem "aspetos que a política devia fazer e que, no limite, não faz", no sentido de estimular comportamentos mais sustentáveis. "Há conjuntos de intenções, mas não há concretizações. O ciclo não se estabelece e o valor não se cria porque não se criam incentivos. Os atores principais devem ser todos aqueles que tem alguma coisa a dizer á cadeia de valor", acrescenta.

Também o responsável da Galp Energia considera que há medidas do poder público que podem de facto acelerar o investimento na economia circular. Aqui, defende medidas como as tomadas nos combustíveis, "onde se criou uma obrigação às empresas, cujo cumprimento levou à criação de um mercado livre e competitivo". E alerta para algumas metas nacionais assumidas que não deverão ser cumpridas, nomeadamente nos aterros, porque faltam incentivos à economia circular.

Até porque, como deixa claro o líder da Veolia, "hoje ainda é mais barato poluir que despoluir, colocando em aterro, ao invés de reaproveitar. Não devem restar dúvidas para ninguém, infelizmente". Mas há "muita coisa a ser feita e muitos bons exemplos para aproveitar. Em Portugal, o reaproveitamento das águas residuais é claramente uma oportunidade".

Pedro Lago refere que a SonaeMC conseguiu, só na água, reduzir o consumo em 40% nos últimos anos. E "não faltam oportunidades de implementar mecanismos de economia circular", como o recente caso, "simples, mas poderoso e simbólico", da desmaterialização do talão das caixas, a que em poucos dias aderiam 40 mil clientes. Se todos os clientes aderissem, pouparia 4 mil árvores por ano. No caminho para a economia circular, não tem dúvidas de que pensar na lógica da colaboração é vital. ´É que "não se faz economia circular sozinho: pressupõe quase sempre colaboração. O que parece simples de dizer, mas não é nada simples de fazer".

Programa

08:30
Receção dos participantes e Pequeno-almoço
09:00
BOAS VINDAS
Presidente APDC, Rogério Carapuça
09:05
LIVING BY PRINCIPLES – BUSINESS RESILIENCY THROUGH INCREASED CIRCULARITY
Raquel Espada Martin - EMEAS VP Energy and Sustainability Services, Schneider Electric
09:30
POWERING THE CIRCULAR ECONOMY OF THE FUTURE
Filipe Alves – Diretor, o Jornal Económico
Fernando Santana – Presidente, Academia de Engenharia
Hugo Pereira - Head of New Energies Division, GALP
José Melo Bandeira – CEO, Veolia
Pedro Lago - Diretor Sustentabilidade / Economia Circular, SonaeMC
10:30
ENCERRAMENTO

Vai acontecer na APDC

2019-10-02

2 de Outubro | Hotel Sheraton Lisboa

2019-11-20

Maior evento nacional das TIC e Media decorre a 20 e 21 de novembro