Evento APDC

04.12
Executive-Breakfast



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Do Ciclo "Powering the Digital Economy"

"Powering the Industries of the Future"

A 4ª revolução industrial está em curso e as empresas terão que se transformar para o digital, apostando na tecnologia. Os dados são absolutamente chave para serem competitivas neste novo mundo, mas há que perceber o que se está a passar, definir a estratégia e o modelo de negócio. O processo ainda está só a começar e as velocidades e necessidades são distintas, consoante as indústrias. Construir soluções partilhadas e em parceria é a meta do executivo. No Digital Business Breakfast APDC sobre "Powering the Industries of the Future", debateu-se o futuro.

O digital e a tecnologia trazem não só desafios, mas sobretudo oportunidades às empresas. Estas terão que encontrar uma estrutura muito diferente do passado, e passam a ter um conjunto de ferramentas que tornam mais fáceis os processos, reduzem custos e dão maior capacidade de resposta. A mensagem é do secretário de Estado da Economia, João Correia Neves, que abriu o segundo encontro de um ciclo de três iniciativas com o mote "Powering the Digital Economy".

O governante destacou que é possível ver hoje em Portugal mudanças muito significativas e investimentos no digital protagonizados tanto por pequenas empresas e startups como por grandes grupos mundiais, muito dos quais criaram recentemente centros de desenvolvimento no nosso país. “Percebemos que há um ecossistema que se tem vindo a criar à volta do digital, que tem dado passos muito significativos e tem capacidade de atração de investimento fora do espaço nacional”, destacou.

O desafio principal que temos pela frente é o de “construir uma sociedade que cresce à boleia do investimento e da capacidade de construir produtos e serviços para os mercados globais. Não teremos capacidade de construir uma solução sustentável do ponto de vista de crescimento que não seja desta forma”, acrescenta, desde que sejam “investimentos de qualidade, centrados na inovação e nas transformações” que se anteveem. Para dinamizar e consolidar a mudança, o governo tem construído instrumentos, mas o processo está apenas no início, sendo algo que tem que ser feito através de um espaço de diálogo com as empresas e em parceria. Só assim será possível “construir soluções partilhadas que sejam úteis para os agentes económicos e para sustentar o desenvolvimento do país”.

Também o keynote speaker deste encontro, Josu Ugarte, Iberian Zone President da Schneider Electric, defende que a complexidade da indústria 4.0 poderá transformar-se numa oportunidade. Se cada uma das indústrias tem necessidades específicas, todas precisam de entender o que se está a passar, de conhecer a importância dos dados, de ter um CEO com um papel estratégico, de ter recursos adequados e de trabalhar em ecossistema. Só assim poderão ser líderes num mercado que está em profunda transformação.

O orador considera que vivemos a 4º vaga da globalização, com o digital e a tecnologia a provocarem o que chamou de uma “desconglomerização progressiva das economias”. Onde os grandes grupos mundiais coexistem agora com empresas pequenas, que passaram a ter a vantagem de ser mais flexíveis e com maior capacidade de levar mais rapidamente propostas de valor ao mercado. É que hoje “estamos a viver uma democratização da tecnologia. Qualquer pessoa pode aportar valor, de qualquer sítio e a qualquer negócio. Isto é uma mudança radical, que afeta os modelos de negócio e o talento”.

Não tendo dúvidas de que a mudança que está a ocorrer na indústria é enorme, Josu Ugarte destaca o papel crítico dos dados na melhoria da competitividade, tanto pela vertente da eficiência como pelo modelo estratégico para a organização. Trata-se, na sua ótica, de um verdadeiro tsunami com três vertentes: acrescentar valor com dados e analítica; criar novos modelos e tendências e reforçar operações e processos; e criar inteligência e integrar ativos, aumentando o valor para o cliente. “Os dados são absolutamente chave para as empresas serem competitivas neste novo mundo”, salienta.

Para esta transformação, é fundamental que o CEO se centre e pense no processo, nos novos mercados, no talento, na marca e no crescimento, com uma visão holística da empresa e da proposta de valor. Só sabendo exatamente qual o modelo de negócio que quer é que poderá implementar as tecnologias. E aqui, precisará um novo perfil de talento, mais flexivel, entusiasta, resistente ao erro, que trabalhe por projeto, que seja capaz de cocriar, colaborar e coordenar, que aprenda e gere valor. Integrar o ecossistema é também vital, desde que a relação entre os seus atores seja win-win.

Países como Portugal, onde a indústria é praticamente composta por PME, correm riscos, porque as suas empresas são mais vulneráveis, tanto às disrupções tecnológicas como a eventuais fusões e aquisições. Mas, como refere o orador, é também uma vantagem a explorar: é que têm muito capacidade de levar rapidamente a proposta de valor para o mercado. Se perceberem qual o seu papel, o que querem e para onde vão.

Atentas ao processo de transformação digital estão empresas de vários setores, que estão a implementar os seus processos de mudança e adotar tecnologia para ganharem capacidade de resposta, como ficou claro no debate que se seguiu. A Galp é um exemplo. Carlos Costa Pina, Vogal da Comissão Executiva, refere que para responder à mudança do paradigma do mix energético, com a aposta na descarbonização da economia, a empresa de energia está a adaptar-se, reforçando na área do gaz natural e no gás natural. Mas este desafio não pode ser vencido sem o recurso à tecnologia, através da digitalização.

O gestor concorda com a opinião do KNS de que se é verdade que a digitalização também é uma questão de tecnologia, essa não é a questão central. Tudo se centra na “definição prévia do que queremos fazer com o nosso negócio e de que maneira queremos usar a tecnologia ao serviço da otimização do negócio. Estamos a desenvolver várias iniciativas no domínio da digitalização para nos prepararmos para o futuro”. Na agenda interna de transformação digital da Galp, destaca 4 dimensões fundamentais: ambiente de trabalho; relação com clientes; otimização de processos; e transformação de produtos e serviços.

Já para Paulo Clímaco Lilaia, CEO da Generis, farmacêutica nacional que integra um grande grupo indiano, se a digitalização e a incorporação de tecnologia são absolutamente críticas para todas as empresas e quem não o fizer vai ficar pelo caminho, nesta indústria há uma outra componente fundamental: ter escala. “Com estas duas coisas, provavelmente as empresas europeias terão capacidade de serem competitivas pelo custo com localizações que hoje são ainda mais económicas”, garante.

A preparar a primeira fábrica do grupo em Portugal, que será o hub para a Europa, o gestor acredita que se em Portugal se apostar na escala e numa forte incorporação de tecnologia, com recursos humanos preparado , se poderá fazer coisas “ao nível do melhor do mundo. Somos um pais pequeno que pode fazer com que as coisas aconteçam mais rapidamente. A velocidade hoje em dia é absolutamente crítica”.

Já a indústria do calçado não está preparada para a disrupção que está a chegar. Pelo menos na experiência de Rafic Daud, co-founder da Undandy, uma startup criada há dois anos que que tem uma plataforma digital para venda de calçado costumizado, com um modelo completamente inovador. Apesar do seu modelo de negócio estar completamente comprovado – passaram de vender 10 pares por mês para 3,5 mil pares em novembro – o facto é que o projeto continua com dificuldades em encontrar uma empresa que produza o seu calçado.

Com quase 10 milhões de euros de faturação prevista para 2019, a empresa está agora a entrar na indústria de produção de calçado, criando a sua própria fábrica. “Não porque queiramos ser industriais, verticalizar e ganhar mais margem ou dar um erviço mais controlado, mas porque não conseguimos outro produtor que nos faça sapatos desta forma. É a visão do todo. Este é ainda um setor que está particularmente não preparado para esta revolução que aí vem”, diz o empreendedor.

Que deixa claro que “podíamos crescer muito mais depressa, porque temos tudo digital. Mas o principal bottom neck do negócio é a produção de sapatos e temos que ter indústria que acompanhe. Sem ela não vale a pena escalar. A solução que encontrámos para responder à velocidade a que o mundo e os clientes estão a mudar é irmos para a indústria, aprender a fazer sapatos. Porque a velocidade passou a ser a principal currency no meio disto tudo”.
 

Programa

08:30
Receção dos participantes e Pequeno-almoço
09:00
BOAS VINDAS
Presidente APDC, Rogério Carapuça
09:05
ABERTURA
Secretário de Estado da Economia, João Correia Neves
09:20
IoT AND INDUSTRY 4.0: COMPLEXITY TURNED INTO AN OPPORTUNITY
Josu Ugarte- Iberian Zone President, Schneider Electric
09:40
POWERING THE INDUSTRIES OF THE FUTURE
António Bob dos Santos – Administrador, ANI
Carlos Costa Pina – Vogal da Comissão Executiva, Galp
Paulo Clímaco Lilaia – CEO, Generis
Rafic Daud – Co-founder, Undandy
Moderador: Shrikesh Laxmidas - Diretor Adjunto, Jornal Económico
10:40
ENCERRAMENTO

Vai acontecer na APDC

2019-01-16

Do ciclo "Powering the Digital Economy"