Evento APDC

10.10
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Com o tema “(Des)codificar o Futuro: Novos Estilos de Vida e a Digitalização”

APDC presente no Congresso da GS1 Portugal

A revolução digital, que surgiu com o arranque do processo de digitalização do mundo, é exponencial, porque está a provocar efeitos completamente disruptivos, com uma profunda transformação nas cadeias de valor e obrigando a uma mudança radical nos modelos de negócio. De tal forma que hoje estamos num mundo de supercorporações e já não num mundo de superpotências. A afirmação é do presidente da APDC, na sua intervenção no Congresso da GS1 Portugal.

Rogério Carapuça, que abordou o tema "A revolução digital e como ela está a mudar o Mundo", citou o exemplo do Whatsapp, startup que surgiu em 2009 para concorrer com o negócio das SMS, que valia 100 biliões, e cinco anos depois foi vendido ao Facebook por 19 biliões de dólares, empregando apenas 55 pessoas. Na altura, a Vodafone tinha 100 mil empregados e valia 100 biliões, apenas 5 vezes mais que o Whatsapp.

“Isto é a transformação digital, porque é uma transformação profundíssima de uma cadeia de valor, onde aparece um novo player que passa a valorizar-se astronomicamente e sem qualquer investimento em infraestruturas. Estas empresas são disruptoras porque partem as cadeias onde entram e fazem com que as regras se alterem completamente, obrigando a uma mudança radical nos modelos de negócio”, diz Rogério Carapuça, destacando que estes players estão a entrar em todas as áreas de atividade económica e também nas nossas vidas.

Prova de que o digital está a mudar o mundo é hoje o valor de mercado que têm as empresas tecnológicas, exemplificando com o facto de que a Apple vale tanto como a economia portuguesa e um sétimo da economia espanhola. E estas gigantes têm vantagens em relação aos países: têm lucros em vez de défices e têm cash em vez de dívidas. O Facebook é hoje a maior comunidade digital do mundo e os países estão a perceber que as suas contrapartes já não são tanto os demais países, mas sim estas gigantes.

Para o líder da APDC, a velocidade da mudança, a escala e o caos, porque traz disrupções para todo o lado, são as grandes caraterísticas da revolução digital. Que está ainda ater um forte impacto social, colocando em risco muitos dos empregos, que nos últimos anos se deslocaram da agricultura e da indústria para os serviços, estando agora também estes empregos ameaçados, pelo menos os de menor qualificação. É por isso que considera que ter qualificações se assume hoje essencial, num mundo cada vez mais digital.

Já anteriormente Paulo Portas, vice-presidente da CCIP, na sua intervenção sobre a economia mundial e as suas repercussões na economia portuguesa, tinha abordado o impacto do digital na geografia mundial, quer em termos económicos, quer políticos.  Destacando as últimas previsões para o crescimento económico mundial e o facto de a Europa estar a entrar em estagnação, alertou para o risco da enorme exposição do continente europeu face a potencias como os Estados Unidos e a China, que investem cada vez mais em I&D, enquanto a UE está a ficar para trás.

“O mundo das empresas de tecnologia é um campeonato entre americanos e chineses. A Europa está fora dele”, diz, considerando que está “numa posição difícil. Em vez de estar preocupada em taxas as grandes tecnológicas, a Europa devia estar a pensar porque é que não tem nenhuma gigante tecnológica”.  Mais: a China “tornou-se na potência desafiadora da liderança tecnológica norte-americana, deixando a UE em mais lençóis”.

Para Paulo Portas, “a capacidade inventiva de quem trabalha e tem imaginação é invencível. A globalização pode ser travada, mas a digitalização não. Os que julgam que o protecionismo trava o mundo enganam-se, porque o mundo anda sem eles. Cada vez que os EUA se retiram do mundo, a China agradece”. Neste cenário, defende que a Europa “tem que olhar para os seus défices de competitividade a sério e sem medos. Pensar nas coisas mais críticas se quiserem falar no futuro. Com políticas sensatas e concentrando-se no essencial”.

"(Des)codificar o Futuro: Novos Estilos de Vida e a Digitalização" é o mote do Congresso da GS1 Portugal, que decorreu pela primeira vez no Campus da NOVA SBE, em Carcavelos.  Em análise estiveram ainda temas como a "Inteligência Artificial: Mitos & Receios, Ética & Oportunidades", apresentada por Paula Panarra, General Manager da Microsoft Portugal, e a "Capacitação Nacional em Cibersegurança", apresentada por Lino Santos, Coordenador do Centro Nacional de Cibersegurança.

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2019-11-20

Maior evento nacional das TIC e Media decorre a 20 e 21 de novembro