Evento APDC

23.05
Conferência



Conferência analisa potencial de mercado

Cloud Computing: uma inevitabilidade

Com o mote "Cloud Computing: futurologia ou inevitabilidade?", a Conferência da APDC reuniu todos os players da cadeia de valor, assim como clientes, num momento de reflexão sobre este mercado. E analisou-se a situação atual e as principais tendências, tanto ao nível mundial como europeu e nacional, assim como os principais fatores críticos de sucesso e barreiras, o ecossistema de fornecedores, a visão dos clientes, as estratégias e as propostas de valor e as alterações tecnológicas e de mercado.

E num mundo em mudança profunda, cada vez mais digital e com dispositivos móveis cada vez mais inteligentes, que estão a gerar novos modelos de consumo, novos tipos de emprego, novas formas de viver, também nos processos se terá de mudar e de inovar. A aqui, a cloud terá um papel fundamental, como destaca Paolo Campoli - Head of Service Providers Architectures e CTO Cisco EMEAR. O key-note speaker, que abordou o tema da "Cloud - A Proposta de Valor", destaca que a confirmar isto está o facto de 50% dos CIO esperam operar em 2015 através da cloud, com soluções cada vez mais móveis, que permitam a ligação entre pessoas e máquinas, com soluções e aplicações"anywhere, anytime", processos de negócio mais inteligentes, novas plataformas e uma experiência diferenciadora. Destacando que "a cloud está a criar uma nova forma de ver a internet das coisas e a internet of everything", cita as previsões de que o tráfego global de datacenters quadruplique entre 2011 e 2016, sendo este crescimento praticamente todo gerado pelas soluções na cloud. Este será aliás o grande driver para a criação de uma verdadeira plataforma de cloud end-to-end.

Numa Europa que enfrenta desafios económicos reais, em que as economias precisam de ganhar dinâmica, as empresas precisam de otimizar e mudar modelos de negócio, criando novos produtos inovadores do mais rápido possível, as soluções na ‘nuvem' são o caminho. E os operadores de telecomunicações estão em vantagem. Se é verdade que os outsourcers, integradores e OTT fornecem serviços cloud, os ativos-chave são controlados pelos operadores de telecomunicações que, com alguns investimentos, podem tornar as telcos os players-chave deste negócio, defende Paolo Campoli. E com uma oferta diferenciadora ao nível da rede, dos serviços, da criação de um ecossistema, da confiança e de novos negócios. Este é, aliás, uma das maiores fontes de crescimento das receitas das TI e das comunicações. Este responsável olha para as soluções cloud como "um enabler em todas as áreas" porque está na base de uma transformação dos modelos de negócio. O desafio é saber qual o modelo certo para mudar a adoção do cloud computing e ultrapassar muitas barreiras mentais que ainda persistem. E alerta para o facto deste ser um negócio que, para ser competitivo, tem que ser de larga escala. Perante a multiplicidade de ofertas e a dificuldade de as distinguir, é preciso criar-se um ecossistema consistente. Este é um processo de transição que, quer do lado da oferta, quer da procura, ainda está apenas no início.

Já Wim Henderickx analisou as grandes tendências tecnológicas. Para o Director Network Consulting Engineering da Alcatel-Lucent, a transição para a cloud tem como motivações, para as empresas, conseguir mais agilidade e melhores resultado, mantendo o controlo. Já os fornecedores têm como ambição fornecer um serviço dinâmico, escalável, suportado num vasto leque de aplicações, para milhares de clientes, com otimização da rede e da utilização dos recursos. Objetivos que têm impacto na rede e nos datacenters, que muitas vezes ainda não têm capacidade para lhes dar resposta.

Acresce que ter uma oferta cloud não basta, é preciso que as empresas gerem valor para o cliente através desse serviço. O que exige novas ofertas cloud, flexíveis, simples e adequadas às necessidades dos clientes, o que até agora não tem acontecido, apesar dos fornecedores estarem a tentar acomodar novos tipos de serviços. O caminho para os fornecedores passa por aprender pelos princípios já provados pelo mercado e ter capacidade e flexibilidade para evoluir para novas ofertas. E um fator chave neste desenvolvimento será a criação de um ambiente aberto a qualquer ambiente de virtualização, a qualquer tipo de datacenter e a qualquer servidor.


CLIENTES: UM LONGO CAMINHO A PERCORRER

Da adoção de soluções cloud mais transversais e estratégicas às organizações até a soluções apenas para uma área ou serviço, já existem múltiplos exemplos de recurso à ‘nuvem' no mercado nacional. Um dos principais objetivos passa por reduzir os custos, mas há também preocupações de flexibilização e de ganhos de eficiência, de redução do time-to-market e de ligação mais estreita ao cliente ou ao fornecedor. No painel sobre "Cloud - A Visão do Cliente", moderado por Magda Cocco, Sócia da VdA, quatro clientes de cloud computing deixaram claro que ainda permanecem algumas dúvidas em torno da segurança e confidencialidade dos dados e sobre o risco de controlo. Por isso, a aproximação à cloud é lenta e resulta das mudanças do mercado. No sector financeiro, o recurso à cloud já existe à muito mas hoje está acelerar, pois a "consumerização está a entrar-nos pela porta dentro", como refere Manuel Domingues. O Administrador Executivo da Espírito Santo Informática destaca a importância destas soluções, mas igualmente a necessidade de um trabalho prévio interno de fundo para preparar a organização. "Não podemos mudar para a cloud apenas por uma questão financeira", adverte. Já João Costa Lima, Business IT Developer, Inter IKEA Centre Group, refere que as soluções cloud adotadas visaram a redução de custos e a otimização dos mecanismos da empresa, admitindo que a segurança e os níveis de SLA dos contratos podem travar o processo de migração para a ‘nuvem'.

Num processo gradual de adoção destas soluções está o grupo Amorim. E, dependendo do grau de controlo que pretendem manter e da segurança que querem garantir, têm vindo a optar por diferentes soluções. "A cloud aparece como um fator natural de evolução", refere Rogério Nunes, Diretor Sistemas de Informação, mas "mantemos a cloud privada toda a área core e estamos a evoluir noutras áreas para a cloud pública", porque "não achamos que exista maturidade suficiente para dar o salto de todas as operações para a dlour pública".E se a redução de custos é um grande objetivo, não pode ser o único nem o principal. "Há que olhar para toda a envolvente para mitigar os riscos". Graça Fonseca, Vereadora da Câmara Municipal de Lisboa, subscreve esta ideia, adiantando que "para retirar todo o potencial da cloud, há que ter uma estratégia integrada", repensando-se o que se pretende ao nível da organização e não apenas na área das TI.

Quanto às preocupações em termos da segurança e confidencialidade na cloud, o responsável do grupo Amorim entende que essas ficam dependentes do fornecedor e do tipo de contrato realizado. Por isso, o ideal é recorrer a um único prestador para fornecer toda a solução. Uma posição subscrita pelos demais intervenientes. Que defendem ainda que nas ofertas atuais, especialmente as disponibilizadas por grandes grupos mundiais, há a necessidade de adaptar as ofertas de cloud à realidade de cada país, o que não está ainda feito, como salienta Manuel Domingues. Já nos fornecedores nacionais existe essa capacidade de resposta às realidades e necessidades concretas. Mesmo assim, o BES só dispõe ainda de serviços em clouds privadas. Uma das áreas em que há que trabalhar é, segundo Graça Carvalho, a da definição de normas e standards comuns a todo o sector público, para dar confiança e credibilidade às soluções. Mas sempre sem "hiperlegislação, que traz sempre mais problemas". Na área pública "para que as organizações se concentrem no seu negócio e não em plataformas de TI, é fundamental um quadro jurídico orientador, até porque há sempre que prestar contas". Ter abordagens contratuais em cloud flexíveis é outro requisito considerado muito importante por todos os clientes cloud desta sessão, para que se possa mudar de fornecedor ou de solução quando for considerado necessário. Assim como uma partilha de riscos, encontrando-se uma solução que agrade a ambas as partes.

FORNECEDORES: MOBILIDADE E INTERNACIONALIZAÇÃO

Do lado dos fornecedores cloud, presentes nesta Conferência numa sessão com o tema "Cloud - Motor de Estratégias de Mobilidade e Internacionalização", ficou claro que há já uma oferta variada de soluções e serviços no mercado nacional, madura e consolidada. Mas, para que os clientes possam retirar todas as vantagens desta oferta, "há ainda um longo caminho a percorrer", diz José Manuel Paraíso, Diretor da Divisão de Sectores da IBM. Nomeadamente porque muitas empresas estão a congelar ou atrasar os investimentos, adiando a adoção de soluções cloud. Representando uma verdadeira mudança de paradigma, há que procurar dinamizar este ecossistema, nomeadamente através da inclusão de mais parceiros, como refere Carlos Leite, Diretor Comercial Clientes Estratégicos da HP. Perante "uma poderosa ferramenta para as organizações" e com uma cadeia que integra cada vez mais players, a cloud representa "uma transformação na forma como se usa a tecnologia ao serviço do negócio", salienta João Paulo Cabecinha, Diretor da PT. E todos estão focados em saber de que forma a cloud pode ser um elemento de inovação.

Paulo Carvalho, Diretor-Geral da SAP Portugal, vai mais longe: "quanto as empresas querem fazer ruturas, é preciso ter a sua oferta e o seu DNA na cloud". E na Europa, há ainda muito que fazer neste negócio, face a mercados muito mais maduros como os Estados Unidos. Esta situação vai rapidamente, segundo este orador, registar uma mudança em rermos de procura de serviços cloud, porque as empresas não podem adiar por mais tempo os investimentos nesta área. "Temos que estar todos preparados para um aumento da procura. As soluções existem e estão disponíveis", adianta. Quem já está mesmo a tirar partido da cloud para disponibilizar serviços aos seus clientes são mesmo os operadores de telecomunicações, tanto para as empresas como para o cliente de serviços de comunicações, como salienta Paulo Ribeiro, Administrador Executivo da ZON TV Cabo, para quem os operadores "estão bem alavancados para tirar partido" deste mercado.

E até mesmo gigantes como a Microsoft, que disponibilizam uma ampla oferta de cloud, estão a migrar os seus serviços para a ‘nuvem', explica João Couto - Diretor-Geral da Microsoft. Garantindo que "a tecnologia e as soluções estão disponíveis e já muito desenvolvidas", adianta que o tema da segurança tem atrasado a adoção da cloud, um tema que tem que ser explicado porque esta é uma questão ultrapassada. "Não temos sabido comunicar bem as vantagens da cloud, tanto em termos de segurança como em termos de redução de custos", diz. Esta é uma solução que "permite uma enorme flexibilidade nas empresas e potencia a sua internacionalização". O responsável da HP acrescenta que já que "ter propostas de valor que enderecem a preocupação de acabar com os silos nas empresas", ao mesmo tempo que todos os intervenientes no ecossistema têm que ter maior interação. "Falamos pouco entre nós".
Numa sessão moderada por Paulo Calçada, Presidente da EuroCloud Portugal, ficou claro que os problemas e entraves existem mais do lado da procura que da oferta. "Não há nenhum problema na oferta, ele está na capacidade de transformação das empresas e departamentos de TI", refere José Manuel Paraíso, para quem outro fator inibidor está na capacidade de investimento e de inovação. E não têm dúvidas de que "é possível projetar Portugal como um prestador de serviços internacional a este nível", sendo para isso necessário ter capacidade de investimento, como salienta o responsável da PT. Quanto ao sector público, e no contexto atual "é muito pouco provável que lidere este processo de transformação através da cloud", diz João Couto. Até porque a mudança não se faz por decreto, tanto no sector público como no privado. Ela depende de quem lidera as organizações.

A Conferência encerrou com a intervenção de Alison Cairns, Managing Director Cloud da Accenture ANZ (Austrália e Nova Zelândia), que abordou as tendências e perspetivas. E para esta responsável, não restam dúvidas. A procura de cloud vai mesmo crescer exponencialmente na Europa. Todos os clientes na Europa estão a canalizar cada vez mais os seus orçamentos de TI para a ‘nuvem', registando os gastos nesta área um crescimento três vezes superior ao das TI em geral. E 31% dos decisores de TI consideram a cloud uma prioridade alta ou crítica para o seu negócio. Uma das maiores apostas está a centrar-se na oferta de SaaS. Nesta transição para a cloud, a key-note speaker abordou em detalhe o mercado australiano, como exemplo de "Cloud Rush", que se iniciou no sector público, com a adoção de tecnologias inovadoras para controlar ou reduzir custos, lançar novas ofertas e manter competitividade.


 
 

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