Evento APDC

25.06
Conferência



Em análise situação atual e perspetivas

Cloud Summit´2014

Mais do que cloud computing, é cada vez mais crítico saber tirar partido desta tecnologia para ganhar vantagens competitivas e potenciar a inovação e o crescimento. Num ano em que se antecipa um reforço dos gastos em TI, há que determinar quais são as grandes prioridades das empresas e organizações, como é percebida a tecnologia pelos clientes e quais as propostas de valor do setor das TIC. Os players deste mercado analisaram neste encontro a situação atual, os grandes desafio, nomeadamente os legais e regulatórios, e as oportunidades que se perspetivam para o negócio do cloud, que está a emergir como uma componente essencial para a mobilidade, o big data, novas formas de trabalho e a globalização dos negócios. Este evento destinou-se a analisar e a perceber as grandes tendências do cloud computing, ver alguns dos casos de sucesso de recurso às soluções na nuvem e refletir sobre eles e determinar como é que a oferta do setor está a impactar os clientes, como destacou o presidente da APDC na abertura.

O acelerado desenvolvimento tecnológico, a globalização e profundas transformações exigem mais eficácia, eficiência e time-to-market. E o recurso ao cloud computing permite ganhar capacidade de resposta a um mundo em constante mudança. Os sistemas cloud estão hoje a emergir como uma componente essencial das infraestruturas de TI, quando a mobilidade, o big data e o social media se desenham como grandes tendências que revolucionam a forma de trabalhar, de consumir e de viver. Para analisar este mercado, os seus desafios, vantagens competitivas e potencial de inovação e crescimento, a APDC vai realizar no dia 25 de junho uma Conferência que reunirá os principais players do setor. Não perca a oportunidade de debater uma área que assume uma importância estratégica nas organizações e num mundo cada vez mais digital!

Para lançar o debate entre os players do setor presentes na iniciativa, três keynote speakers apresentaram a sua visão sobre as várias vertentes do cloud. Com o mote "Cloud: do potencial à realidade", Pedro Afonso, da Novabase, destacou que o negócio "as TI são um act of living, uma vez que precisamos de muita informação e de um acesso muito rápido a ela". Daí que a democratização do acesso às tecnologias e as mudanças sociais levaram nos últimos anos a uma transformação das várias indústrias. Incluindo a indústria das TIC, que está a mudar de o seu paradigma de venda de tecnologia e de complexidade para dar resposta ao que os clientes querem: usabilidade e simplicidade. E a cloud traz exatamente a possibilidade de endereçar as questões que clientes colocam. Para este responsável "temos que passar a vender simplicidade e indexação ao negócio do cliente em vez de complexidade", colocando "uma dimensão de empatia e emocional no processo de decisão das empresas de TIC com o Design Thinking".

Já com o tema "Cloud: Desafios legais e regulatórios", Fernando Resina da Silva, da VdA, abordou a situação na Europa e as medidas que estão a ser tomadas pela Comissão Europeia para criar uma cloud de dimensão europeia. É que se são muitos os benefícios da ‘nuvem', como redução de custos, aumento de qualidade, maior eficácia e flexibilidade e acesso a tecnologia de ponta, subsistem muitos desafios e riscos. Com destaque para a segurança e privacidade, a disponibilidade de rede e facilidade de acesso, o risco do lock in e a erosão do know how interno. "A CE preocupa-se em maximizar os benefícios e reduzir os riscos da cloud, criando um ambiente seguro" refere. E nesse sentido, está a tentar resolver problemas como a fragmentação do mercado digital, e a persistência da selva de standards, que coloca incertezas em termos de interoperabilidade e portabilidade. Nomeadamente com a criação de regras europeias que criem uma regulação comum, assim como a preservação, divulgação e integridade dos dados, a sua propriedade, a alteração dos serviços e a subcontratação. E a implementação com a indústria de um código de conduta uniforme A CE quer ainda impulsionar a adoção da cloud na Administração Pública (AP) como forma de dinamizar a utilização e criar uma cloud no espaço comunitário.

"Cloud: what's next?" foi o mote para Phil Tilley, da Alcatel-Lucent, abordar o future deste mercado. E este responsável não tem duvidas de que os desafios para a indústria serão enormes, uma vez que a ‘nuvem' está a mudar a forma como a tecnologia é consumida. "Acelerar o negócio, ganhar eficácia e oferecer produtos e serviços rapidamente são desafios para as empresas na adoção da cloud. E neste novo mundo começamos a assistir a uma nova tendência: Bring your own cloud", refere. E hoje, um dos desafios para os fornecedores é saber integrar a cloud publica com a cloud privada, fornecendo soluções híbridas. Só assim poderão oferecer soluções com valor para o mercado. E neste novo mundo aberto, em que é preciso acelerar o desenvolvimento, há que apostar na criação de alianças e ecossistemas. "Temos que saber ser abertos e partilhar experiências. Para a cloud ter valor é preciso a colaboração na indústria", destaca.

NOVOS MODELOS DE NEGÓCIO

A experiência da Impresa e da SRS Advogados na utilização de soluções cloud abriu a sessão "Cloud: Novos modelos de negócio". São exemplos completamente distintos mas os objetivos são similares: redução de custos, eficácia e eficiência, capacidade de resposta ao cliente.  E em ambos os casos, foi um processo gradual. No caso da Impresa, a operar nos media, negócio onde a pressão sobre as receitas é crescente, o digital business é prioritária, a entrada na cloud teve em conta a redução de custos, a adequação ao negócio, a arquitetura de sistemas, a flexibilidade e o tempo de implementação. Hoje, toda a atividade digital do grupo já está na cloud. Estão também a migrar o sistema de colaboração para a cloud e os sistemas virtualizados estão próximos dos 100%. Para Raul Carvalho das Neves, "não há nada que compramos hoje que não seja comparada com as alternativas na cloud. E é importante que as ofertas cloud, para além de serem competitivas, tenham capacidades similares às internas. Já no caso da RSR Advogados, e lidando esta sociedade com informação sensível, a adoção de uma solução cloud visou, segundo José Rodrigues de Almeida, a redução de custos de infraestrutura, a integração do fixo/móvel, redução de custos de comunicações, o apoio técnico e a redução da carga administrativa na relação com fornecedores.

No debate que se seguiu entre vários players das TIC, moderado por Ana Torres Pereira, José Pereira, da Novabase, começou por salientar que o cloud computing vai democratizar o acesso às TI e transformar o modelo de consumo. E antecipa que "o futuro da cloud está nos modelos híbridos, que conseguem trazer um real valor para o negócio das empresas". Raul Caldeira, da Ericsson, vai mais longe, garantindo que "a cloud é um dos pilares da evolução da sociedade e do futuro do sector. No futuro, tudo o que beneficiar de uma ligação será ligado. Pessoas e coisas. E estas ligações vão produzir informação, um bem essencial que vai impactar as cadeias de valor económicas e a sociedade". Manuel Soares, da Vodafone, destacou que os benefícios do aumento da capacidade e de qualidade da rede têm sido transferidas para as ofertas cloud. E considera que as parcerias assumem uma importância estratégica para uma oferta completa de soluções por parte dos fornecedores.  Mais, mais do que ter uma oferta standard, é preciso que o fornecedor conheça bem a realidade do cliente para que se possa desenhar a solução mais adequada, garante Laila Ferreira, da HP. E o potencial é enorme, como salienta Rui Rosa, do SAS: "a cloud permite reestruturar processos e criar novos processos e modelos de negócio que vão permitir o crescimento das organizações".

Todos admitem que subsistem entraves à adesão às soluções cloud. O que resulta do excesso e complexidade da informação, que gera mesmo desinformação e diminui a recetividade dos clientes, afirma Laila Ferreira. Para quem os fornecedores têm que aprender a vender as soluções, demonstrando os seus benefícios e mais-valias. Já Rui Rosa destaca a dificuldade das empresas em se desligarem de uma realidade mais analógica e migrarem para o digital. A diferenciação foi também um tema de debate. E se cada vez mais os fornecedores têm que se diferenciar, o caminho terá de passar pela integração de serviços com parceiros, como refere a responsável da HP. E toda a indústria está a caminhar para a cloud e para a flexibilização de ofertas, garante Raul Caldeira, da Ericsson. "A adesão à cloud implica muitos processos e envolve muitas áreas dentro de uma empresa. É um processo demorado, mas inexorável", diz.

As PME também estiveram em debate. Este é um segmento de mercado onde há muito por fazer na adesão à cloud. Para Manuel Soares, é preciso que estas percebam o valor que podem tirar da cloud para o seu negócio. Por isso, a mensagem tem que ser mais simples. E há problemas tamto do lado da oferta como da procura, diz Rui Rosa. "do lado dos fornecedores em explicarem os benefícios para o negócio. Do lado das PME em perceberem as vantagens". Acresce uma maior sensibilidade ao tema da segurança. No entanto, depois de um 2013 em que as empresas se concentraram na consolidação e no corte de custos, já se nota uma aposta na revisão de processos e no investimento em cloud.

NOVAS FORMAS DE TRABALHAR

A cloud está também já a revolucionar a forma de trabalhar. Incluindo na Administração Pública (AP), como ficou bem evidente na sessão sobre "Cloud: Uma nova forma de trabalhar", onde foram apresentados os casos da ESPAP - Entidade de Serviços Partilhados da Administração Pública Portuguesa e das USF - unidades de Saúde Familiares. Para Jaime Quesado, presidente da ESPAP,  "o tema da cloud está na agenda de uma AP que tem que ser mais inteligente, mais ágil e flexível". Apesar de persistirem muitas resistências aos processos de mudança, da imaturidade nas soluções tecnológicas, da inexistência de standards e de regulação e das questões de segurança, o objetivo é "uma progressiva implementação da cloud, com a criação a prazo de uma national cloud da AP". Para alcançar este objetivo, terá de se apostar numa rede colaborativa integrada, de analisar as boas práticas e criar novos clusters, como o mini cluster de cloud. E Jaime Quesado não tem dúvidas: "a carteira de serviços partilhados da AP está em fase de implementação e a cloud terá um papel fundamental a desempenhar". Tendo que ser "uma opção politicamente enquadrada para se tornar uma realidade generalizada na AP".

Uma das áreas que tem aproveitado as vantagens das TIC é a Saúde. E Portugal é mesmo dos países da europa com maior nível de informatização nos cuidados de saúde primários, através das Unidades de Saúde Familiares (USF), com refere José Luís Biscaia. Este médico de clinica geral lidera um projeto recentemente lançado de um portal das USF nacionais, o portal BI USF, que visa o desenvolvimento e a melhoria contínua e sustentada das USF, assim como garantir identidade, capacitação, transparência e ganhos em saúde. Destacando que o grande problema do setor público é que as TIC são vistas como um custo e não como um investimento, subsistindo uma  baixa interoperabilidade clínica e funcional no sistema sem gestão da informação criada, entre outros problemas, salienta que o portal, lançado a 1 de junho, cruza ferramentas tecnológicas e está na cloud. Usaram-se ferramentas tecnológicas para responder aos objetivos definidos. Agora, "o valor acrescentado do projeto dependerá do nível de participação e de apropriação pelas USF e stakeholders da saúde no portal".

Estes são exemplos de que a cloud é uma nova forma de trabalhar, como destaca Gabriel Abrantes, da NOS, que resultou da mobilidade e da largura de banda. No entanto, os consumidores foram muito mais rápidos do que as empresas a perceber as vantagens da cloud. E a questão da segurança no acesso aos dados que estão centralmente localizados continua a ser um dos grandes problemas. Representando uma nova forma de pensar e de atuar, a adoção da cloud nas empresas está mais atrasada, diz Agostinho David, da NSN. Acresce que a transformação de aplicações e infraestrutura nas organizações tem que ser pensada e não está a ser feito. "As organizações estão a pensar apenas em como usar a cloud para criar serviços diferentes", explica João Gonçalves, da IBM. Quando "devem permitir que dentro do seu local de trabalho existam formas de inovação e colaboração", adianta Jorge Reto, da SAP.

Mais crítico, José Carlos Gonçalves, da CGI, considera que a "a cloud não é mais do que o mesmo, feito de forma diferente. É uma forma de vender distinta. Com a largura de banda e de criação de modelos disruptivos, os fornecedores readaptaram-se e passaram a vender de forma diferente. E adianta mesmo que o "grande drama do futuro vai ser a privacidade de dados, principalmente fora das zonas regulamentadas". Já Agostinho David discorda: "a cloud permitiu a virtualização da tecnologia e uma evolução gigante da oferta. Não é apenas mais do mesmo. É diferente". Um dos problemas nesta área é a grande confusão em torno do conceito de cloud. "Cloud implica virtualização. Aplicações têm que estar estandardizadas e temos que ter automação em termos de infraestrutura e software", diz João Gonçalves. A segurança voltou a ser destacada como um tema relevante. "Precisamos dar o salto na confiança. O problema de segurança é mais emocional que real. A migração para a cloud vai ser lenta", antecipa Gabriel Abrantes.

INTERNACIONALIZAÇÃO E GLOBALIZAÇÃO

Na última sessão desta conferência, sob o tema "Cloud: Internacionalização e globalização", João Machado apresentou o caso do Grupo Pestana e a sua estratégia de adoção de soluções cloud. Facilitação do crescimento do negócio, dispersão geográfica, redução de custos, simplificação da infraestrutura e focalização no negócio core são algumas das vantagens referidas, assim como a garantia da qualidade de serviço. O grupo selecionou fornecedores de referência no setor para o fornecimento de serviços, que se poderão no futuro estender às aplicações core. Mas "a decisão tem de ser muito mais ponderada".

E quais são as opções dos principais fornecedores cloud para garantir a internacionalização das operações das empresas clientes? De acordo com Miguel Moreira, da PT), uma das preocupações dos fornecedores é garantir a conectividade entre centros de dados situados em vários países. E há novos modelos de cloud que têm surgido nos últimos meses, como as clouds federadas, que agregam redes de vários operadores. Também Manuel Piló, da Cisco, destaca a aposta em construir uma rede de parceiros. "O próximo passo é a federação. E as federações de clouds têm requisitos técnicos muito rigorosos, o que garante confiança ao cliente". O objetivo é "através dos processos de certificação, garantir que existe uma homogeneidade entre vários serviços nos diferentes países".

Sendo as soluções cloud uma mais-valia, que "liberta recursos, cria valor, poupa dinheiro e dá espaço às empresas para se concentrarem no core", como refere Paula Panarra, da Microsoft, o departamento de TI das empresas é cada vez mais um parceiro de negócio fundamental. Mas a discussão da cloud vai muito além das questões tecnológicas e as variáveis não tecnológicas são tão ou mais importantes do que as tecnológicas, destaca Nuno Santos, da GFI. Hoje, os departamentos de TI têm que pensar em gerar valor e não considerarem-se um centro de custos. Até porque, olhando para o caso específico das PME, estas seriam muito mais competitivas e teriam maior capacidade de internacionalização se adotassem ferramentas cloud, adianta a responsável da Microsoft.

A segurança não é hoje a grande prioridade das empresas na opção pela cloud. Os clientes querem conhecer a oferta e saber como ela responde às suas prioridades de negócio, diz Manuel Piló, da Cisco. Mas "o aspeto da segurança surge mais cedo ou mais tarde na negociação da prestação de um serviço de cloud ". Jeff Jiang, da Huawei, confirma esta realidade. "A segurança não é um tema, é um problema para toda a gente. E temos a capacidade de o resolver. O cliente tem que pensar no seu negócio e na forma como a cloud o pode servir. As grandes organizações preocupam-se mais em discutir os modelos de negócio." Para o representante da Cisco, "a adoção da cloud tem que ser feita gradualmente. De fora para dentro. Há que começar com as coisas que têm menos risco. Estamos a viver uma transição para um modelo tecnológico e de negócio radicalmente diferente. As novas empresa nem questionam os modelos anteriores, porque nascem na era da cloud". Garantir os benefícios ao cliente, como o time to market, agilidade, facilidade e rapidez, é fundamental. Assim como facilitar o processo de experimentação. "A demonstração das soluções costumizadas exemplifica o sucesso da cloud e permite dar melhor resposta às necessidades ", diz Paula Panarra.
 




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