Evento APDC

17.03
Executive-Breakfast



Patrocinador(es) Executive-Breakfast

Executive Breakfast com players das TIC

Executive Breakfast - Migração de Valor na Indústria de Telecom na Europa

A reconfiguração total das TIC é uma evidência. E impõe novas estratégias e abordagens, que passam pela aposta crescente nas parcerias e na cooperação entre os vários players do ecossistema. Assim como por mudanças na regulação europeia, que está a prejudicar um mercado que está claramente a perder protagonismo no cenário global. Os protagonistas nacionais estão atentos à mudança no ecossistema e vêm o futuro com muitos desafios e oportunidades. Inovar e reinventar parece ser a chave, como ficou bem claro neste Executive Breakfast, onde o tema foi "Migração de Valor na Indústria de Telecom na Europa".

O mercado de tecnologias de informação, comunicação e media está a ser totalmente reconfigurado. E os seus players têm que o abordar de uma forma completamente diferente do que faziam até agora. É que se há muitas oportunidades a explorar, há também muitos desafios que será necessário enfrentar. A garantia é de Luis Abad, Vice-presidente de Indústria, Telecom e Media da Altran, que apresentou neste Executive Breakfast, que reuniu mais de 100 participantes,  um estudo realizado pelo seu grupo, com o tema "Value migration in the telecom and media sector in Europe: an european tragedy?".

O estudo mostra que o valor do mercado global tem crescido de forma assinalável, mais que duplicando o seu valor nos últimos 11 anos. O problema é que a evolução entre os diferentes segmentos de mercado - operadores de telecomunicações, fornecedores de telecomunicações, vendedores de terminais, vendedores de TI e OTT's - foi completamente distinta. Nos operadores de telecomunicações, registou-se uma valorização, em termos de capitalização bolsista, da ordem dos 50%. O problema é que os operadores europeus perderam valor, enquanto os norte-americanos ganharam, duplicando o seu valor.  Adicionalmente, registou-se uma grande migração de valor dos operadores e fornecedores de telecomunicações para os vendedores de dispositivos e as empresas de internet, os OTT's. Áreas onde os players europeus quase não existem.  

MUDAR MINDSET É IMPERATIVO

Para o orador, o mercado coloca "importantes desafios". E a principal mensagem é que "temos que pensar e atuar diferente", mudando "drasticamente o mindset e a forma como colaboramos entre nós. Senão, vamos sofrer". Uma necessidade que é premente na Europa, onde "há que fazer qualquer coisa", nomeadamente ser mais flexível e consolidar o mercado. "É absolutamente necessário", refere Luis Abad, apesar da já "longa lista de casamentos de operadores". E a regulação tem também que mudar, até porque é um dos principais travões à redução do investimento que se tem vindo a verificar. "Temos uma regulação muito assimétrica que claramente precisamos de adaptar à nova estrutura de mercado".

No painel de debate que se seguiu à análise do estudo, moderado por Bruno Casadinho, Head of Telecom, Media and Transports da Altran Portugal e onde participaram responsáveis dos operadores e dos fornecedores, analisaram-se as grandes transformações, a situação atual e o futuro. E todos defenderam a necessidade de cooperação entre os vários players do ecossistema das TIC como condição para poderem fornecer ao mercado as soluções mais completas, adequadas, eficientes e time-to-market. Assim como a necessidade de uma alteração urgente da regulação das telecomunicações, que onera particularmente os operadores, enquanto os OTT's praticamente não têm constrangimentos.

REGULAÇÃO ASSIMÉTRICA PREJUDICA

António Reis, Director Products Management da Vodafone, não tem dúvidas de que há uma forte assimetria da regulação entre a Europa e os EUA, que tem condicionado os investimentos no mercado europeu. E que há uma efetiva migração de valor para os novos players. Ainda assim, os operadores europeus têm investido fortemente, tanto na rede móvel como na fibra, onde há mesmo um sobreinvestimento no mercado nacional. Uma das vantagens para empresas que integram grupos multinacionais é o aproveitamento de sinergias e a capacidade de inovação. É o caso da PT Portugal, agora no grupo Altice, que tem operações na Europa e nos EUA, como destaca João Sousa, Chief Sales Officer/B2B da PT Portugal.

Já ao nível dos fornecedores, as compras e as parcerias estão na ordem do dia. A parceria entre as gigantes Ericsson e Cisco é um dos mais recentes exemplos. Mas esta não é uma tendência exclusiva dos fornecedores, diz Joaquim Santos, Head of IP& Transport Region Mediterranean da Ericsson. "As parcerias são uma aposta nos operadores e nos fornecedores. Para criar um novo valor". Sofia Tenreiro, Diretora Geral da Cisco, reforça essa ideia. Até porque o grupo que integra tem no seu DNA trabalhar com parceiros, porque "acreditamos no ecossistema e na sua inovação. Sozinhos não conseguimos fazer e precisamos das mais-valias de todas as empresas".

As compras de empresas de dimensão equivalente não são uma opção, face "aos custos e dificuldades que existem na integração e aculturação", que são enormes. "Perdemos muita agilidade nesse processo. Por isso, temos optado por parcerias cada vez mais estratégicas com grandes empresas, que antes encarávamos como concorrentes", explica Sofia Tenreiro. Para quem é preciso repensar toda a nossa atuação no mercado e encontrar áreas de cooperação. Só assim se poderão criar "consórcios de inovação" para ter agilidade e endereçar o mercado.

Um mercado que onde está em curso uma revolução digital. "Todas as empresas hoje são digitais. Independentemente do setor, a tecnologia não é apenas um meio para sermos mais modernos mas é um meio que promove a produtividade, a eficiência e a empregabilidade. Claramente todas as empresas têm que ser digitais e é com muita satisfação que se vê essa evolução em Portugal", acrescenta.

DIFERENCIAR IMPÕE PARCERIAS

Mas como diferenciar ofertas? Esta foi uma questão abordada pelo responsável da Vodafone, que admite ser "difícil construir uma diferenciação pela qual o cliente esteja disposto a pagar". Por isso, tiveram que responder às tendências de mercado e à guerra de preços que está instalada entre os operadores nacionais. Mais: garante que "não temos veleidades em arriscar uma estratégia com preços mais caros. Temos que conseguir manter preços competitivos, porque até hoje não conseguimos provar que as pessoas querem pagar mais". 

Já na PT Portugal, a grande agressividade da concorrência obriga o grupo a "uma constante inovação". O que é um problema, já que a guerra de preços compromete o investimento num setor de capex intensivo. Por isso, "tendo em conta que estamos numa guerra de preços muito agressiva, tentamos diferenciar-nos por outros argumentos. Os conteúdos são uma das áreas", diz João Sousa. Com destaque para os conteúdos desportivos. "A PT investiu em conteúdos porque acha que traz valor para o seu produto e para a solução que disponibiliza aos seus clientes", acrescenta.

Os OTT's foram outro tema debatido, nomeadamente a sua capacidade de levar um serviço end-to-end ao cliente final. Para António Reis Silva, para evitar que estes capturem valor aos operadores, há que apostar em estratégias que permitam oferecer serviços similares. Este é um desafio de toda a indústria, sendo que a criação de valor poderá ser feita através da realização de parcerias ou alianças com objetivos específicos. 

O concorrente da PT reforça esta ideia: "já não dá para estar sozinho neste mercado". Até porque o segmento dos OTT's não permite adotar uma estratégia global para os enfrentar. "Temos que nos saber adaptar a este novo tipo de players, que têm o contexto de ter uma solução fácil e gratuita para o cliente", refere. Joaquim Santos subscreve a necessidade de parcerias. "Quando é necessário, vamos com parceiros. Estamos abertos a todos os tipos de soluções que possam trazer benefícios para nós e para os operadores". 

TEMPOS ENTUSIASMANTES

Mas o futuro é visto por todos como cheio de oportunidades, apesar de muito desafiante. Para o responsável da Vodafone. "O que se segue é verdadeiramente entusiasmante. Viveremos grandes desafios nos próximos anos. Muita coisa vai acontecer. Com formas de prestar os serviços completamente diferentes. Todas as cadeias de valor estão a ser desafiadas. Mas o valor que vamos acrescentar coletivamente é muito grande", mas é preciso que a regulação permita "libertar os recursos para assegurar o nível de investimento necessário. É preciso  investir mais".

Certo de que "já não dá para ter uma oferta unicamente de telecomunicações", o representante da PT destaca que há que "ir buscar os parceiros adequados para trazer as novas ofertas para os clientes e saber entregar estas soluções com qualidade, rapidez e bom preço". Para isso, todos têm que saber trabalhar em conjunto e perceber os movimentos que se antecipam no mercado. 

E tendo em conta que são os utilizadores finais que ditam as regras do mercado há que definir novos modelos de negócio e um conjunto de novos serviços, acrescenta o representante da Erissson.  Esta é uma fase "altamente entusiasmante e desafiante. E a evolução é tão rápida que não a conseguimos antecipar. Os clientes e consumidores desafiam-nos constantemente mas há um grande mérito de todo o ecossistema que está constantemente a surpreender os clientes finais. Há muitas empresas que se conseguiram reinventar. Mas a inovação tem que ser cada vez mais acelerada e criativa", remata a líder da Cisco.

Programa

08:30
Receção dos participantes e Pequeno-almoço
09:00
BOAS VINDAS
Rogério Carapuça - Presidente - APDC
09:05
VALUE MIGRATION IN THE TELECOM AND MEDIA SECTOR IN EUROPE: AN EUROPEAN TRAGEDY?
Luis Abad - VP Indústria, Telecom e Media - ALTRAN
09:25
PAINEL DEBATE
Bruno Casadinho - Head of Telecom, Media and Transports - Altran
António Reis Silva - Director Products Management - Vodafone
João Sousa - Chief Sales Officer/B2B - PT Portugal
Pedro Queirós - Presidente - Ericsson
Sérgio Catalão - Head of Strategy and Business Operations for South and East Europe - Nokia
Sofia Tenreiro - Diretora Geral - CISCO
10:30
ENCERRAMENTO

Vai acontecer na APDC