Evento APDC

03.07
Conferência



Com ACEPI e em parceria com MMA

Mobile Forum Portugal 2013

Não restam dúvidas de que mobilidade terá de estar no centro de todas as estratégias. Tanto do lado dos players das TIC como de todas as empresas e organizações em todas as áreas da economia. É que com as redes 3G e 4G, as velocidades de acesso à banda larga estão cada vez maiores, está a disparar a utilização de smartphones, tablets e outros dispositivos móveis e as novas tendências de consumo assentam cada vez mais na mobilidade e na ligação permanente à Internet. Mas ainda há muito por fazer no mercado nacional. E em todas as frentes. Desde as soluções e serviços móveis até às estratégias, passando pelo mobile marketing e pelo mobile commerce, abre-se um mundo de novas possibilidades e de oportunidades que é preciso aproveitar. Como ficou bem evidente neste Mobile Forum, que reuniu não apenas os fornecedores de acessos, dispositivos e serviços e soluções, como também clientes das TIC nas mais variadas áreas.

E uma grande parte das empresas portuguesas continua a ignorar ou a fazer muito pouco nesta área, como mostra um estudo realizado pela ACEPI, em parceria com a Karma, sobre ‘Tendências de Investimento Digital em Portugal'. O estudo, apresentado por Alexandre Nilo Fonseca, presidente da ACEPI na sessão de abertura desta iniciativa, mostra que num universo de mais de 130 empresas analisadas, cerca de 68% das empresas nacionais não têm uma estratégia definida para o mobile marketing. E só 32% têm um plano estabelecido para o seu investimento em marketing móvel. Das empresas com estratégia nesta área, 81% têm resultados acima das que não têm qualquer plano. Do total do orçamento reservado ao marketing, 15%, em média, está a ser direcionado para o marketing digital. O investimento em marketing digital está centrado, em primeiro lugar, no website (31%) e nas redes sociais (18%). Só 5% está a ser direcionado para o mobile. Para este responsável, sendo o mobile uma oportunidade única - "uma das primeiras coisas que fazemos quando acordamos, senão a primeira, e uma das últimas coisas que fazemos antes de nos deitarmos é pegar no telemóvel" - as empresas estão a perder "uma oportunidade verdadeiramente única".

Já Rogério Carapuça, Presidente das APDC, começou por destacar a iniciativa como "diferente do que é habitual fazer-se em Portugal". Porque a ACEPI e a APDC entenderam que "a massa crítica é importante para criar eventos relevantes para o sector. Inauguramos hoje uma nova fase, de possibilidade de juntar associações diferentes para criar um evento de referência que estude um conjunto de tendências ou uma tendência em particular". Para este responsável, "gostávamos de contribuir para a consolidação dos esforços entre associações do sector em Portugal", para ganhar massa critica e representatividade para o sector. Sendo as TIC um sector "completamente horizontal" na atividade económica, impactando os demais sectores, "contém em si as respostas a muitas das questões que os outros sectores estão a confrontar-se no dia-a-dia". E, de acordo com um estudo exaustivo que está a ser realizado pela APDC sobre as tendências económicas, há quatro tendências que são "absolutamente incontornáveis": a mudança do paradigma de computação para a cloud, a mobilidade, a utilização exaustiva de redes sociais e a utilização dos meios de computação - business analitycs.

Na sessão de abertura esteve também presente Franquelim Alves, Secretário de Estado do Empreendedorismo, Competitividade e Inovação, para quem o sector das TIC é "determinante", permitindo nomeadamente "um posicionamento mundial dos projetos empresariais portugueses, porque as suas soluções são transversais e instrumentais". E a utilização das TIC tem um efeito estrutural de alteração de comportamentos nas empresas, pelo que o Executivo tem procurado incentivar iniciativas que maximizem potencial das tecnologias, nomeadamente ao nível da modernização da AP.

Tendências, estratégia e ofertas
 
Com o mote "Mobile Insights and Trends", dois responsáveis internacionais analisaram as grandes tendências do mercado. Para Bejamin Ensor, da Forrester, as empresas ainda não perceberam o verdadeiro potencial desta mudança e os benefícios estratégicos para o seu negócio. Defende que têm que basear as respetivas ofertas nos benefícios únicos do móvel: intimidade, imediatismo e contexto. E proporcionar uma experiência de alta qualidade aos clientes, ao mesmo tempo que melhoram o seu relacionamento com eles, tanto em qualidade como em frequência. Já Cédric Foray, da Greenwich Consulting, abordou as potencialidades da distribuição física com o reforço das atividades das empresas no mundo digital. E entende que a experiência de utilização proporcionada ao consumidor tem de ser consistentes nas várias plataformas: loja física, móvel e internet. Com novas experiências e uma maior personalização dos serviços, não só para vender mas para promover a marca e fidelizar clientes.

Já na área das "Mobile Solutions and Services", Robbie Douek, da Google, defende que no mercado nacional está quase tudo por fazer. Com serca de 28% dos portugueses ausar smartphones e 30% dos sites nacionais otimizados para navegação mobile, tem que se apostar na experiência contínua em todos os dispositivos. Com soluções e serviços transversais e a personalização da oferta. E Pedro Janela, da WyGroup, vai mesmo mais longe, garantindo que da tecnologia que está à nossa disposição nos telemóveis, hoje só se explora menos de 10%, havendo ainda muito por explorar. Especialmente porque os dispoisitivos móveis dominam, a par dos ambientes táteis em múltiplas condições de acesso. Por isso, "tem de se perceber o paradigma da utilização dos serviços e aplicações digitais em mobilidade". Já João Paulo Luz, do Sapo Mobile, não tem dúvidas de que com o 4G e evolução dos preçários, se assistirá nos próximos anos a uma explosão da utilização do mobile. Os fornecedores têm que ter capacidade de resposta num mundo que está a convergir, sendo a monetização do digital é um desafio global.

E há que acelerar a introdução de novos produtos e serviços, para aproveitar as oportunidades de negócio no móvel, salienta Paulo Garrido, da Cisco. Na sessão sobre "Mobile Strategy", este responsável garante que o vídeo será a realidade predominante e o responsável pelo aumento de tráfego de dados, tendo os fornecedores de antecipar o que os clientes querem em termos de ofertas. Para Manuel Soares, da Vodafone, Depois da explosão com as redes 3.5G, o 4G será a "próxima grande fronteira. Estamos apenas ainda a raspar a superfície do que é possível com o tráfego de dados", garante, tendo os operadores tradicionais que avançar com novas ofertas que permitam uma aproximação ao cliente, como forma de enfrentar os OTT's. Uma das áreas onde admite não haver ainda grande dinamização, por não trazer grande rendimento aos operadores, é a dos mobile payments. E neste âmbito, é preciso encontrar um modelo de negócio sustentável para todos os intervenientes, como avança Luís Flores, da SIBS. Que está convicto de que a conveniência dos pagamentos móveis vai criar massa crítica, criando-se um ecossistema dinâmico e do interesse de todos. Para isso, é preciso criar interesse no consumidor em formas de pagamento que até agora não existiam. E aqui os operadores têm um papel importante. Já Jorge Graça, da Zon, levantou a questão do cruzamento do modelo de consumo de vídeo mais social com o consumo de vídeo em mobilidade e o desafio que que isso implica para a indústria da TV e do vídeo, uma "questão que está por resolver". E alerta para o facto da necessidade do mercado ser capaz de monetizar. "Redes e tráfego de dados já lá estão. Não tenho dúvidas que vamos encontrar um modelo de negócio".

O marketing, o comércio e o futuro
 
Já no que se refere ao "Mobile Marketing", o tema da sessão seguinte, David Skerrett, da R/GA London, defende que os operadores devem focar-se cada vez mais no reforço da experiência de utilização do cliente. Apostando na promoção e notoriedade da marca através de uma estratégia de maior aproximação aos clientes. Filipa Caldeira e Pedro Batalha, da FullSix Ibéria, destacaram as estratégias atuais de marketing das empresas nacionais e os caminhos possíveis, salientando que o investimento em mobile marketing é hoje ainda muito reduzido. Quando se trata apenas de "falar" como consumidor num canal diferente. Tem que se apostar em ir além do produto, passando a marca a ter um papel no dia-a-dia do cliente, proporcionando uma experiência relevante para o consumidor. Admitindo que "há muito para fazer", consideram que "há um desconforto em arriscar em novos negócios mobile", especialmente num mercado de pequena dimensão como o nosso.

Na área do "Mobile Commerce", ficou comprovado que existem já várias iniciativas de sucesso em curso em várias áreas. Na banca, o Bank Best está a apostar cada vez mais no online e no mobile banking, como explicou Bruno Monteiro. Para este responsável, o  mobile é cada vez mais um novo canal de vendas e de contactos para a banca, com o mobile commerce a evoluir  muito positivamente. Já na área do transporte aéreo, Artur Arnedo apresentou o caso da aposta na ANA Mobile. Que passou por disponibilizar soc clientes não apenas um novo canal de comunicação, mas também um noco canal para potenciar as vendas da empresa. Já no turismo, "estar no mobile é quase uma obrigação", como afirma Marcos Madeira, do Grupo Pestana. Há quer ter todas as opções de acesso aos produtos em todas as plataformas e a aposta no móvel teve como objetivo ganhar receitas, o que está de facto a acontecer. E aqui, "há muitas coisas para explorar e inventar na área do turismo. Há muito espaço para crescer". Um dos caminhos poderá ser a utilização de soluções de compra oline, como o PayPal. Para Miguel Fernandes, da PayPal, "o mobile é uma excelente plataforma para vender. Tem é que se simplificar o pagamento, o que ainda não está a acontecer na maior parte das empresas nacionais. E que está a fazer as empresas perderem clientes para concorrentes estrangeiros.

Mas, apesar dos constrangimentos e desafios atuais, o futuro parece muito promissor para o negócio do mobile, como ficou patente na sessão "The Future of Mobile". Para David Alves, da Optimus. Desenvolver os dados móveis passa pela aposta clara nos smartphones e em tarifários cada vez mais à medida, porque permitem despreocupação dos clientes e o controlo de custos. Capacidade e velocidade da rede também são críticas, pelo que ter redes 4G é fundamental. Os operadores terão ainda de diferenciar as tipologias de oferta de dados. Até porque, como destaca Luís Avelar, da Portugal Telecom, os preços dos tarifários ainda continuam a ser uma barreira à adesão aos dados móveis, tanto em termos de preços como de perceção por parte dos clientes. Com a crescente evolução dos tarifários paras as flat-rates, é agora preciso massificar os serviços. Sobretudo através de ofertas convergentes de serviços de comunicações.  E o negócio vai mudar substancialmente em termos de receitas, pelo que os operadores terão de disponibilizar soluções mais inovadoras e em parceria com outros players, garante Pedro Queirós, da Ericsson. A monetização do negócio móvel passa por saírem do core business tradicional e apostarem nos serviços e aplicações, sendo a cloud uma realidade. Já na ótica de João Couto, da Microsoft, há que ter uma oferta que permita uma utilização consistente em todos os dispositivos e uma oferta cloud que suporte os serviços. Para se conseguir uma maior penetração do mobile, o caminho terá que passar pela aposta na escala e pela descida dos preços dos dispositivos móveis.

Programa