Evento APDC

03.07
Conferência



Parceria entre a APDC, a ACEPI e a MMA

Mobile Forum Portugal 2014

Na segunda edição do Mobile Forum Portugal, que reuniu todo o ecossistema da mobilidade, fez-se um ponto de situação e traçaram-se perspetivas sobre o negócio da mobilidade no mercado nacional. Mostrando exemplos concretos do que os clientes e fornecedores estão a fazer num negócio que assume uma importância verdadeiramente estratégica na economia digital. Na abertura do evento, Rogério Carapuça, presidente da APDC, destacou a importância da realização, que resultou de uma parceria com a ACEPI e a MMA. Trata-se de uma estratégia de colaboração com as demais associações do setor que a AAPDC está a desenvolver no sentido de realizar iniciativas de referência e com maior impacto no mercado nacional. E porque, cada vez mais, é imperativo analisar as tendências dos demais setores de atividade, outro dos objetivos é demonstrar a experiência dos clientes na utilização das TIC. Só assim poderão ser realizados eventos que gerem valor para todos os participantes. Também Rui Marques, vice-presidente da ACEPI e da MMA, destacou a estratégia da ACEPI e a importância do negócio mobile para o mercado. E referiu um estudo desenvolvido em parceria com a IDC, anunciado no final do ano passado, que mostrava que em Portugal existiam 2,7 milhões de internautas que geraram 2,4 mil milhões de compras no B2C, representando 1,5% do PIB. E a previsão é que, em 2017, o valor atinja os 4 mil milhões de euros, ou seja, 2,5% do PIB.

MOBILE INSIGHTS AND TRENDS
E ninguém tem dúvidas de que o mobile vai gerar grandes oportunidades de negócio, como ficou bem patente na Sessão "Mobile Insights and Trends". Para Chris Babayode, Managing Director EMEA da Mobile Marketing Association (MMA), "o mobile pode claramente mudar o mundo" e está já na base de uma mudança massiva no comportamento do consumidor. Antecipando-se que em 2017 cerca de 70% da população mundial tenha um telemóvel, as empresas precisam de se aproximar cada vez mais dos consumidores através desta plataforma.

Mark Challinor, CEO da Media Futures reforça esta ideia, garantindo que "é crítico para todos os negócios focar os esforços nas capacidades móveis, definindo a estratégia certa para alcançar esse objetivo". Centrando-se no mercado dos media, considera que os editores terão mesmo que reinventar o negócio, porque os utilizadores consomem conteúdos diferentes em diferentes plataformas. "O desenvolvimento da tecnologia móvel está a mudar tudo. E muito vai mudar nos próximos anos", antecipando que em 2015 cerca de 50% dos conteúdos digitais sejam consumidos através do móvel. Por isso, os media têm que "tornar os negócios mais flexíveis, mais rápidos e dirigir o negócio para o futuro das tendências de consumo".

Já João Pinto Gonçalves, Head of TMT Research da Deloitte Portugal, destacou as principais tendências das TIC e as previsões de evolução do mercado, nomeadamente de acordo com o estudo "Predictions", da consultora. Com a explosão no consumo de dados que se está a registar, antecipam-se inúmeras oportunidades mas também alguns problemas. Nomeadamente para os operadores, que terão que garantir a capacidade das suas redes para dar resposta a uma procura cada vez maior. Sendo Portugal um early adopter de tecnologias, o país está preparado para as mudanças de paradigma que a tecnologia está a gerar.

MOBILE SOLUTIONS AND SERVICES
E há muitas mudanças de paradigma a que as empresas e organizações estão a tentar dar resposta. Na sessão "Mobile Solutions and Services", foram apresentados vários casos de criação de aplicações móveis para fazer face a novas realidades e a um novo consumidor. Segundo Hugo Silva, Diretor-geral da United Creative, que abordou o tema do marketing de proximidade, a "georeferenciação é um salto que vai fazer com que consumidor passe do social para o relacional, com proximidade, interação e de ganhos concretos". Não tendo dúvidas de que a realidade aumentada, o NFC, o wi-fi e os iBeacons são ferramentas que vão enriquecer o marketing digital. E as marcas terão que aprender a gerir estas oportunidades. "Há cada vez mais vontade das empresas apostarem no mobile. Mas o desafio num mercado pequeno é saber equilibrar investimento com resultados concretos", destaca. E a mobilidade está cada vez mais a ajudar as empresas a melhorar os serviços, as relações internas e a aumentar as vendas, garante André Gil, Managing Partner da Bliss Applications.

Já Simão Vieira, assessor Vice-Presidente (TI's) da Câmara Municipal de Cascais, sintetizou as apostas da autarquia em termos digitais e no desenvolvimento de aplicações que permitam uma interação cada vez maior com os munícipes. Sendo a simplificação, mobilidade, desmaterialização, integração, transparência e controlo os grandes desafios e estando os serviços online estão a sobrepor-se aos físicos, a câmara aposta cada vez mais na desmaterialização e na mobilidade. Até por pressão dos munícipes, que querem respostas cada vez mais rápidas, eficazes.

MOBILE STRATEGY
E qual a estratégia que os vários players do ecossistema móvel estão a desenvolver? Os três intervenientes na Sessão "Mobile Strategy", responderam a esta questão. Segundo Jorge Graça, administrador da NOS Comunicações, o grupo está a fazer um esforço para utilizar as funcionalidades dos serviços móveis para aumentar a eficiência e produtividade interna. E está a incorporar o mobile desde a génese do serviço na nova geração de produtos que está a desenvolver. E para este responsável, o papel dos operadores é ser um enabler, fornecendo a plataforma que permite a conectividade.

No caso dos CTT, com o core-business em queda acentuada, o objetivo é fazer crescer as receitas noutras áreas. Para o seu vice-presidente, Manuel Castelo- Branco, "acreditamos muito no ecommerce e no mobile". E o grupo está a crescer, especialmente no B2C, estando a alterar radicalmente o modelo de negócio. Admitindo que há um caminho a percorrer, destaca que estão a trabalhar muito na conveniência como fator de atracão do comércio eletrónico.

Já Teresa Mesquita, Diretora do Departamento de Gestão de Produto da SIBS, não tem dúvidas que o mobile "é incontornável no futuro dos pagamentos. A tecnologia móvel está a mudar o comércio". Todas as formas de pagamento têm que evoluir e adaptar-se às mudanças do mercado e do perfil de consumo, tendo em conta que as soluções de pagamento que servem para frente de loja não são as mais adequadas para servir as novas plataformas de venda online. E os pagamentos móveis pretendem criar mais conveniência, mais facilidade e mais rapidez ao utilizador.

Analisando o papel dos big data, para Jorge Graça o primeiro grande desafio a acautelar é o da privacidade e da gestão dos dados pessoais dos clientes. E se com o big data se consegue um maior índice de personalização e de ajustamento da oferta às necessidades das pessoas, "transformar dados em informação é um desafio monstruoso. Mas estamos a dar passos nessa área". E é preciso saber para que é necessária a informação, como salienta Manuel Castelo-Branco. É que se o big data oferece oportunidades nos pagamentos móveis, é preciso criar modelos de negócio complementares ao dos pagamentos móveis, que criem valor para retalhistas e consumidores. Outro requisito é pensar global e ter escala, porque o mercado nacional é pequeno. Para além da escala, Teresa Mesquita defende também a necessidade de criar efeitos de rede e de criar ecossistemas que podem ajudar a conquistar e atingir rentabilidade.

MOBILE MARKETING
O tema do "Mobile Marketing" centrou as atenções da sessão que se seguiu. Pedro Seabra, CEO da Viatecla, apresentou o caso desta empresa e destacou que "mais do que inovação e a criatividade das empresas, é o próprio mercado que coloca pressão para a mudança". E se a tecnologia é uma das variáveis, o desafio maior é criar soluções para chegar ao consumidor: entrar no device do cliente e fomentar a utilização das aplicações é o grande desafio. A qualidade e a diferenciação dos conteúdos assumem aqui um papel determinante. Assim como a atratividade do produto. Para este responsável, o receio que investimento no móvel não alcance os objetivos pretendidos é um dos obstáculos ao desenvolvimento de ofertas específicas para mobile.

Mas há que ter uma abordagem integrada na oferta no negócio do mobile, sendo isso determinante para o sucesso, diz Miguel Figueiredo, CEO da Excentric/Grey. Para quem os smartphones permitem uma interação muito forte com os consumidores, mas o seu potencial vai muito além do que está hoje a ser feito. "Não se está a explorar, de todo, o potencial dos smartphones, nomeadamente em termos de ofertas interativas e numa lógica de desenvolvimento de aplicações", garante. Acrescentando que as ações integradas entre vários meios, físicos e digitais, são a melhor forma de potenciar a utilização das aplicações móveis.

E num ambiente de quatro ecrãs - televisão, computador, tablet e smartphone - é este último que se foi valorizando, sendo hoje o primeiro dos ecrãs, diz João Paulo Luz, Diretor de Publicidade do SAPO. Por isso, se as marcas têm que pensar sempre em formatos multi-ecrã, devem ter em conta que para determinados projetos e negócios o líder é o smartphone. "A conveniência do mobile tem que ser aproveitada por empresas que querem apostar nesta plataforma. É um dos grandes argumentos de adoção", diz, acrescentando que "está ainda a haver uma utilização envergonhada do mobile por parte das empresas nacionais" e "ainda não se pensa especificamente em produtos para esta plataforma". Mais: "as empresas fazem mais do mesmo e ficam à espera que outros façam diferente e que resulte, Depois vão atrás. E perdem-se muitas oportunidades".

MOBILE COMMERCE
O "Mobile Commerce", o tema da sessão que se seguiu, é uma das grandes oportunidades de negócio. E Portugal ainda tem potencial de crescimento nos pagamentos online face à média da EU, garante Rui Patraquim, Managing Director da PT Pay, empresa criada pela PT para a área dos pagamentos digitais. "O paradigma dos pagamentos está a mudar e as lojas quase que são vistas como showrooms. E está cada vez mais centrado nos telefones", diz este responsável. Presente nesta sessão esteve Nuno Almeida, Head of E-commerce da Sonae MC, que apresentou a evolução e a estratégia do grupo no retalho nacional. Para este responsável, "o desafio do multicanal é encontrar o maior número de ocasiões de contacto entre a marca e o cliente", tendo o cliente que ser sempre uma prioridade. "Queremos encontrar momentos, cruzando diversos meios, que possam interagir com os clientes dentro ou fora das lojas físicas", afirma. E este é "um desafio muito grande. É preciso ter ferramentas de tratamento de dados e pessoas que compreendam esta complexidade".

Já Ernesto Ferreira, Country Manager da e-Goi, abordou o tema do mobile messaging e a forma como a comunicação deve ser feita. Casa vez mais, tem que se analisar informação relevante do cliente e o seu perfil de consumo e usá-la para trabalhar comunicação de forma mais eficiente". De uma forma personalizada. E aqui, apostas como o email marketing são cada vez mais relevantes, como o mostra o facto de mais de 25% das aberturas de mensagens serem feitas via mobile

THE FUTURE OF MOBILE
Na última sessão deste Mobile Forum 2014, o rema foi "The Future of Mobile", que reuniu responsáveis da PT, Ericsson, Microsoft, Vodafone e PayPal. Para João Paulo Cabecinha, Diretor do Segmento Empresarial da PT, as empresas não querem que o espaço físico das suas lojas limite o negócio e por isso apostam cada vez mais em aplicações e sites transacionais. Por isso, "as empresas procuram reinventar-se numa verdadeira disrupção". Esta evolução coloca desafios muito grandes aos operadores, já que a disponibilidade das redes e a conectividade passam a ser críticas, pelo que o investimento continuado e o planeamento da rede têm que ser prioridades. Assim como o reforço nas plataformas de serviços e a sua abertura a entidades terceiras, criando um ecossistema da mobilidade.

Antecipando que num futuro próximo tudo o que for passível de ligação estará ligado, Joaquim Santos, CTO da Ericsson, destaca que a mobilidade e a largura de banda estão a ditar a evolução do mercado. E "estamos a caminhar para uma mobilidade total, onde o que o cliente quer é a qualidade da experiência". E os operadores terão que ter capacidade de resposta. Na opinião de Luís Peixe, Head of Mobile Devices Sales da Microsoft, já estão a responder. "A inovação na indústria não para. Nomeadamente em equipamentos. E vai continuar a puxar pelo consumo. É difícil saber o que vai prevalecer em termos de tendências. Mas há três drivers para o processo de decisão do consumidor: o preço, o display e a câmara.". para este responsável, o que se usa no contexto pessoal é muito relevante para as decisões que se tomam na vertente empresarial . E todo o ambiente móvel terá que ser suportado por um contexto cloud. "Vão aparecer serviços cloud em multiplataforma para responder a esta necessidade. Há muito caminho a percorrer e a oportunidade é grande", garante.

Manuel Soares, Responsável pelo Centro de Demonstração de Soluções Empresariais da Vodafone Portugal, tal como o responsável da NOS, destacou a necessidade de uma ainda melhor cobertura e performance de rede. Esta tem que suportar a crescente convergência entre fixo e móvel, com soluções de mobilidade total, que assumem um papel cada vez mais importante. Facilitar a vida dos consumidores tem que ser a prioridade, garante Miguel Duarte Fernandes, Head of Sales Portugal da PayPal. E a facilidade, simplicidade e segurança são requisitos fundamentais para sucesso do sistema de pagamento digital., já que garantirão uma crescente adesão. E o próximo passo é simplificar o mundo offline com soluções digitais que possam agilizar o dia-a-dia dos consumidores.

O encerramento do Mobile Forum 2014 foi feito pelo Secretário de Estado Adjunto e da Economia. Leonardo Mathias começou por destacar que os setores do comércio, serviços e restauração evoluíram de forma extraordinária nos novos canais digitais. E se a expansão da economia digital e o desenvolvimento dos novos canais coloca cada vez mais desafios e torna a oferta mais complexa, o facto é que a base de utilizadores do digital se está a alargar. O que significa termos "mais e melhores consumidores". E o Governo pretende apoiar um maior desenvolvimento do digital nestes setores, nomeadamente através da utilização legal de dados ao serviço da inovação e da promoção do financiamento colaborativo. E lançou às empresas TIC e desafio de ajudar o Executivo e estes setores a pensar a mudança e as formas de potenciar a presença digital e a sua ligação à presença física. Adequar o regime jurídico da publicidade à nova realidade do mercado e ao mundo digital é outra prioridade, onde se pretende "trabalhar de uma forma aberta". Para o governante, "o Governo continuará empenhado em criar condições para as empresas se desenvolvam na economia digital", com a ajuda das empresas das TIC, que já demonstraram a sua resiliência, capacidade de inovação e criatividade



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