Evento APDC

05.06



Emily Green

NGN Regulation and the New Broadband Wave

Começam a surgir na Europa vários projectos de redes de nova geração (NGN). Mas continua ainda muito incerta a estratégia a adoptar em torno das infra-estruturas que prometem ser responsáveis por uma verdadeira revolução ao nível mundial. Enquanto que grande parte da Ásia e os Estados Unidos avançam, o Velho Continente continua enleado num mar de análises e debates. Comissão Europeia, reguladores sectoriais e operadoras incumbentes e alternativas não se entendem. E o desacordo estende-se a quase tudo: que tecnologia escolher, que modelos de negócio privilegiar, quais os timings de investimento mais adequados, mais ou menos regulação, partilha ou não de riscos e lucros.
 
Consensual é que as NGN são o caminho do futuro. A crescente necessidade de banda larga e a progressiva digitalização das sociedades assim o exige. Por isso, é preciso encontrar o rumo certo e começar, desde logo, a endereçar os enormes e importantes desafios que as redes de nova geração colocam. É que a apetência dos consumidores por mais e melhores serviços e conteúdos tem de ser respondida pelo mercado. Ao mesmo tempo que o problema da estagnação das tradicionais fontes de receitas das operadoras de telecomunicações tem que ser ultrapassado. A opinião é de Emily Green, presidente e CEO Yankee Group, a convidada do mais recente jantar-debate da APDC sobre "NGN Regulation and the New Broadband Wave".
 
Para a responsável por uma das mais importantes consultoras e empresas de estudos de mercado dos Estados Unidos, os próximos anos serão determinantes para o futuro da economia e da competitividade do mundo. Especialmente na Europa, ainda muito fragmentada no que toca às NGN. É que está em curso uma verdadeira revolução na forma como as sociedades comunicam. É um processo imparável, global, que dará lugar a formas de conectividade inteiramente diferentes e que não vai esperar por ninguém. "Acreditamos num futuro dominado por um conceito que designamos por conectividade ubíqua", onde o "valor das comunicações electrónicas tornará possível estarmos em todo o lado, ao mesmo tempo". No cerne desta mesma visão está a ideia de ‘everywhere network', uma rede seamless (sem interrupções), sempre acessível, de grande capacidade e muito inteligente que ligará tudo e todos, em todo o lado.
 
No entanto, Emily Green reconhece que neste momento são mais as dúvidas que as certezas. É que ainda não se sabe ao certo qual será a função destas infra-estruturas, como serão, quem a fornecerá, quanto custarão e qual o modelo económico mais adequado para a sua rentabilização. "Sobretudo temos que nos questionar sobre aquilo que as pessoas realmente querem destas redes, como é que elas se vão ligar, que serviços querem aceder, quem os vai fornecer, quanto estão dispostas a pagar, como é que as empresas vão chegar aos seus clientes. Apesar de ainda estar tudo por definir, temos todavia já a certeza dos enormes benefícios globais que esta rede terá na vida de todos nós, consumidores. Em muitos mercados existe, hoje em dia, a percepção da importância da portabilidade, de levarmos para todo o lado as nossas vivências, o nosso trabalho, o nosso entretenimento. É algo que a ‘everywhere network' pode providenciar", explicou.
 
Mais e melhores serviços
 
As receitas do acesso fixo poderão estar em declínio, mas há uma história de sucesso a que já ninguém fica indiferente: a banda larga. O número de utilizadores e a usabilidade desta tecnologia estão em constante crescimento, "de tal forma que somos já vítimas deste êxito". As constantes exigências por mais capacidade estão a pedir muito das empresas que actuam nesta área, "confrontadas que estão com enormes desafios no que toca aos preços". As receitas médias por utilizador (ARPU) poderão estar estagnadas ou mesmo em queda, mas as projecções que se fazem dos hábitos de consumo revelam que entre as preferências dos consumidores se encontram, cada vez mais, o vídeo, os dados e os jogos. Em suma, o entretenimento, a colaboração e a troca de experiências.
 
"Constatamos que o que os consumidores realmente querem são novos serviços", reconhece, mas continua a ser muito difícil prever com exactidão que tipo de oferta terá sucesso no futuro. "Introduzir novos serviços leva o seu tempo, o que torna a sua comercialização bastante arriscada, e a pressão competitiva sobre os preços aumenta de dia para dia, em grande parte por causa da filosofia regulatória, criada precisamente para fomentar essa mesma competitividade. São por isso muitos os desafios que encontramos na passagem do actual estado da indústria para um modelo de ‘everywhere network'".
 
Mas Emily Green acredita firmemente na existência de um modelo ideal, que ajudará a responder às necessidades e aos desafios do mercado que se está a desenvolver. "Aos nossos clientes globais aconselhamos o seguinte: comecem por construir uma rede que seja inteligente, que permita evoluir com a ajuda de parceiros, pois é impossível saber como vai ser o futuro. Um elemento central de uma rede inteligente tem de ser a capacidade desta integrar o conhecimento sobre os hábitos e necessidades do utilizador com os serviços que estamos a criar. Tal cria vantagem competitiva para os fornecedores de acesso. E aqui, mais uma vez, as plataformas abertas e a oferta de terceiros são fundamentais".
 
Na óptica da CEO do Yankee Group, as NGN dependem de um conjunto de factores cruciais: alinhamento operacional adequado para gerir economicamente os chamados serviços da nova geração; excelência na distribuição do serviço; criação de valor; mais-valias para a experiência do consumidor; escala do mercado e capacidade de adaptação. Todos "determinantes para o sucesso de uma NGN" mas igualmente determinantes para as economias do planeta. Se em determinados mercados "um crescimento de 10 por cento das redes móveis representa um aumento do PIB em um ponto percentual, então o que fará uma rede global em prol da competitividade mundial?"
 
Revolução regulatória
 
Um dos tópicos que domina o debate em torno das NGN tem a ver com os desafios que as autoridades regulatórias vão enfrentar na tentativa de criar o ambiente mais adequado para este tipo de redes. A mudança para a fibra terá de saber endereçar as complexas alterações que se vão operar nesta área: "terá de se chegar a um entendimento quanto ao grau de análise do mercado mais adequado e terá de se questionar sobre quão harmonizada poderá vir a ser a própria regulação, dada a complexidade do mercado europeu".
 
Uma análise à actividade regulatória na Europa em torno das arquitecturas de nova geração permitiu-lhe compreender que existe um conjunto de factores que importa garantir: incentivos para o desenvolvimento de novas infra-estruturas; continuidade dos serviços actualmente existentes; protecção dos interesses dos consumidores; identificar e antecipar as barreiras nas NGN; e encontrar uma forma de prever, de uma forma justa, quais serão os players dominantes e quais serão os desafiadores. Mas não só. É preciso, na sua óptica, saber "como se podem evitar recuos nos serviços que providenciamos, como não reduzir a concorrência, como se garante um processo evolutivo que não seja caótico e disruptivo, tanto para os players como para os utilizadores, e finalmente como podemos assegurar a apropriada análise económica que impeça o agudizar do ‘digital divide'".
 
Outra questão é o das diversas tecnologias possíveis na escolha de uma determinada solução de fibra. Na sua opinião, "muitas entidades reguladoras não entendem. Certamente têm conhecimento da ‘sopa de letras' e de todas as siglas envolvidas, mas encaram isto genericamente como banda larga. O problema é que existe uma enorme falta de imaginação quanto ao grande leque de possibilidade e quanto ao que podemos fazer".
 
Independentemente do ambiente concorrencial em causa, acredita que "os modelos de negócio das operadoras têm de mudar e tal deve acontecer o mais rapidamente possível". Na sua opinião pessoal, "ainda estamos muito ligados aos antigos procedimentos". Mas existe agora um modelo diferente, muito influenciado pela explosão da economia Internet. "Sabemos que a comunicações estão a caminhar no mesmo sentido que os jornais, as televisões e os grandes eventos desportivos, fortemente influenciados pela publicidade e pelo modelo económico que lhe está subjacente". As empresas de comunicações estão a criar redes que lhes permitem estabelecer parcerias com as empresas de media e com todas as demais entidades que querem chegar aos utilizadores dos produtos e serviços de comunicações electrónicas, encontrando meios de rentabilizar estas infra-estruturas. Tendo em conta estes novas cenários, "quanto mais cedo isto acontecer, mais cedo toda esta ansiedade em torno da transformação das actuais redes em infra-estruturas da nova geração termina".
 
Na visão do Yankee Group, esta "revolução na conectividade", assente na crescente introdução da fibra e da banda larga sem fios, vai implicar profundas mudanças não só para a economia, mas também para a própria sociedade. "Será, atrevo-me a dizer, mais profunda do que a comercialização da Internet na década de 90. Penso que o impacto económico desta revolução nos próximos 10 anos será maciço. Libertará um novo tipo de consumidor, com grandes expectativas de conectividade, com grandes apetências. O mundo das operadoras não será o mesmo e se não querem ficar para trás têm que descobrir formas de diferenciar os serviços que prestam". Mas acima prevê que a regulação continuará a lutar para "acompanhar aquilo que somos capazes de fazer. Para as entidades regulatórias é extremamente desafiante integrar e compreender as capacidades da tecnologia, a pressão competitiva e as ambições económicas dos players e as preocupações dos consumidores. Mas têm de fazê-lo. E rápido", recomenda.
 
"A Europa preocupa-me, pois ter conectividade é uma coisa maravilhosa. A rede é algo que torna o mundo mais pequeno, que aproxima as pessoas. E se nos preocuparmos em perder emprego e competitividade em relação a outros mercados, todos os dias que passarmos em debates e a pensar como é que vamos fazer as coisas são dias perdidos. O que peço é uma resolução rápida do debate", concluiu.

Programa


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