Evento APDC

31.10
Conferência



Conferência da APDC, Portugal Agora e MTW

“Reinventar a Educação para gerar os Líderes do Futuro”

As competências-chave do século XXI vão muito além das capacidades técnicas. Um mercado globalizado e cada vez mais digital, onde a aceleração tecnológica é uma realidade, exige dos recursos humanos um conjunto de soft skills que o sistema de ensino atual ainda não tem capacidade para garantir. Acelerar o processo de mudança é, pois, fundamental, num processo que terá que envolver todos os stakeholders na definição e implementação de uma verdadeira estratégia nacional para a Educação.

Na Conferência "Reinventar a Educação para gerar os Líderes do Futuro - Comunicar, Colaborar, Criar", uma iniciativa da plataforma ‘Portugal Agora’, em parceria com a APDC e a MTW, que decorreu a 31 de outubro, em Lisboa, o debate centrou-se no estado atual da Educação em Portugal e na definição de estratégias para garantir o talento no futuro.
Foi consensual a ideia de que a Educação em Portugal registou uma enorme evolução nas últimas décadas e que o talento nacional ‘dá cartas’. Como o prova o número crescente de centros de competências a abrir no mercado português e a cada vez maior internacionalização das nossas empresas, realçou Paula Panarra, Diretora-Geral da Microsoft Portugal.

Mas terá que se fazer mais e mais depressa, porque ter capacidade de resposta ao mercado de trabalho do futuro, que mais do que capacidades técnicas, exige capacidades sociais e emocionais, como pensamento crítico, capacidade de resolução de problemas, comunicação, colaboração e criatividade. Um perfil de competências não só ainda não é ensinado na sala de aula e que nem sequer existe na generalidade das empresas, como destacou Sara Batalha, CEO MTW Portugal.

“As mudanças na Educação exigem dinheiro, investigação e reflexão”, considera Rute Batista, gestora de desenvolvimento profissional de professores a nível europeu, destacando que “as necessidades e os desafios são similares em todos os países europeus: passar do mero ensino do conhecimento para trabalhar outras competências”. E isso só será possível através da “criação de um ecossistema que envolva todos os intervenientes”.

Uma das entidades que tem desenvolvido várias iniciativas no sentido de promover as soft skills é a Fundação Calouste Gulbenkian. Pedro Cunha, Diretor-Adjunto do Programa Gulbenkian Conhecimento, não tem dúvidas de que se estas capacidades se aprendem em qualquer altura da vida. Por isso, além de promover projetos que investem nos mais jovens, tem outros que apostam nas competências de quem já está no mercado de trabalho e pode aprender nesse ambiente.

Consensual é também a ideia de que os professores precisam de ajuda para poderem ensinar as novas competências na sala de aula.  A realidade mostra que não estão preparados para o fazer. “O desafio é saber como trabalhar a criatividade, a comunicação, a colaboração e o pensamento crítico dentro da sala de aula. Mas, para isso, é preciso primeiro ensinar o professor, com estratégias especificas de pensamento e de ação”, defende Ivete Azevedo.

Tanto Paula Panarra, Diretora-Geral da Microsoft Portugal, como Pedro Afonso, CEO da Axians Portugal, entendem que a inclusão da tecnologia no ensino é fundamental para fomentar muitas das competências soft nas escolas. “Este é um caminho a fazer, com sentido de urgência, porque tem que acontecer rapidamente”, diz a líder da Microsoft.

Também Pedro Afonso defende que no espaço escolar se deverá apostar em menos tecnologia, mas usada de forma diferente. “Nas empresas, gastamos rios de dinheiro a dar ao talento recrutado competências que a escola não deu. Isso tem que ver com todo o processo educativo e não só com os professores”, alerta. Garantindo que o ‘one size fits all’ não funciona, porque as pessoas não são todas iguais, também ele considera a tecnologia uma ferramenta essencial para garantir uma educação personalizada e adequada.

Mas, antes de reinventar o sistema de ensino, este terá que ser reorganizado. Como destaca Domingos Santos, Diretor do Agrupamento de Escolas de São Julião da Barra, “subsistem muitos constrangimentos nas escolas que é preciso ultrapassar”, citando exemplos como o processo de colocação de professores, os modelos de liderança e a forma de contratação. Além do entrave que resulta da “mudança de rumo, sempre que muda o Governo”. A realização de um pacto na Educação, que “garanta estabilidade das opções a longo-prazo”, é vista como essencial. Porque se as escolas têm muitas potencialidades, têm também muitos constrangimentos.

Esta iniciativa teve como objetivo “reunir um conjunto de pontos de vista e de propostas concretas no sentido de criar uma nova agenda da Educação em Portugal o mais rapidamente possível”, destaca Miguel Leocádio, da Portugal Agora.

“A Educação é uma área fundamental para todas as empresas, porque estas vivem do capital humano e precisam dele para responder às exigências do mercado. Mas o setor é também ele desafiante, uma vez que mantém paradigmas que persistem há décadas, quando as necessidades de talento estão a evoluir muito rapidamente”, acrescenta Rogério Carapuça, Presidente da APDC.


 
 
Data e Local de realização:
31 Outubro de 2018 - Pavilhão do Conhecimento - Lisboa

PROGRAMA

17:00 - Abertura
Carlos Sezões (Portugal Agora)
Miguel Leocádio (Portugal Agora) 
Rogério Carapuça (APDC)

17:15 - Painel 
Domingos Santos - Diretor do Agrupamento de Escolas de São Julião da Barra
Ivete Azevedo - Fundadora e Presidente da Direção da Torrance Center Portugal
Paula Panarra - Diretora-Geral Microsoft Portugal
Pedro Afonso - CEO Axians Portugal
Pedro Cunha - Diretor-Adjunto do Programa Gulbenkian Conhecimento 
Rute Baptista - Pedagoga, Gestora de desenvolvimento profissional de professores a nível europeu  
Sara Batalha - CEO MTW Portugal 
Moderadora: Catarina Carvalho - Diretora Executiva Diário de Notícias

19:00 - Debate

19:30 - Encerramento

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