Facebook terá vendido dados pessoais dos utilizadores a outras plataformas

2018-12-06 Há mais um escândalo em torno do Facebook. A maior rede social do mundo terá tentado negociar o acesso especial aos dados privados dos seus utilizadores a plataformas como a Netflix, Airbnb ou Lyft (partilha de carros). Há 250 documentos confidenciais divulgados pelo Parlamento britânico que o mostram, como revela o The New York Times.

Os documentos e e-mails internos mostram que a empresa de Zuckerberg chegou mesmo a acordo com algumas empresas para negociar o acesso à informação, favorecendo umas em detrimento de outras. Com base nos documentos divulgados pelos deputados britânicos, o jornal diz que entre 2012 e 2015, a empresa fez acordos com empresas específicas, como a Netflix, o Airbnb ou a Lyft, para lhes dar acesso a dados. O que terá acontecido depois de a empresa ter mudado a política de privacidade que restringiu o acesso aos dados dos utilizadores pelas empresas.

Mais, os documentos, divulgados pela comissão parlamentar britânica do digital, cultura, media e desporto que está a investigar as práticas da rede social sobre fake news, mostram que a gigante debateu a possibilidade de dar acesso preferencial a clientes que mais dinheiro gastavam em publicidade, mais de 250 mil dólares anuais, e de vedar o acesso a empresas que via como concorrentes diretas.

Estes documentos tinham sido classificados como confidenciais por um tribunal da Califórnia num processo que envolve outra empresa, a Six4Three, cujo fundador dessa empresa, Ted Kramar, já admitiu ter dado os documentos aos deputados britânicos O presidente da comissão britânica defendeu, entretanto, o “interesse público considerável na divulgação destes documentos”, que levantam questões importantes sobre a forma como o Facebook #trata os dados dos utilizadores, as políticas que tem para trabalhar com os developers de aplicações, e como exerce a sua posição dominante no mercado das redes sociais”.

O Facebook já assegurou que nunca vendeu dados e que os documentos mostram apenas uma parte da história, que é apresentada de uma forma enganadora, sem dar contexto adicional. “Como qualquer negócio, tivemos muitas conversas internas sobre várias formas de como podíamos construir um modelo de negócio sustentável para a nossa plataforma”, refere.

A Bloomberg também refere que um email de 2013 revela que o fundador do Facebook ordenou o bloqueio do acesso do Twitter, através do Vine, à funcionalidade que permite encontrar os amigos do Facebook nesta rede. E que terá tornado mais difícil saber o que muda nas atualizações da sua aplicação no Android, para conseguir ter dados sobre o histórico das chamadas ou as SMS enviadas pelos utilizadores.
 

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