IBM armazena dados num único átomo

2017-03-10 A IBM acaba de dar um importante passo na miniaturização da computação, ao conseguir armazenar dados num único átomo. Para isso, utilizou um microscópio inventado no grupo e premiado com o Nobel da Física, conseguindo assim criar o disco mais pequeno do mundo utilizando um único átomo, onde armazenou um bit de dados. Atualmente, os discos rígidos utilizam cerca de 100.000 átomos para armazenar um único bit.

Segundo a Big Blue, este avanço tecnológico baseia-se em várias descobertas ao longo de 35 anos de investigação em nanotecnologia no grupo. Esta capacidade de ter um bit de informação num átomo abre inúmeras e inovadoras possibilidades para o desenvolvimento de dispositivos de armazenamento significativamente mais pequenos. Prevê-se por exemplo que será um dia possível armazenar toda a biblioteca do iTunes, com 35 milhões de músicas, num dispositivo com o tamanho de um cartão de crédito.

Ainda esta semana, a IBM anunciou que vai disponibilizar em breve os primeiros computadores quânticos do mundo para as empresas e para a ciência. Neste contexto, no futuro vai ser possível investigar o potencial do desempenho do processamento de informação quântica utilizando átomos magnéticos individuais.

“Os bits magnéticos estão no cerne dos discos, da memória e das fitas magnéticas da próxima geração. Conduzimos este estudo para entender o que acontece quando se diminui a tecnologia ao limite mais extremo – a escala atómica”, refere Christopher Lutz, investigador responsável pela Nanociência dos Laboratórios da IBM Research-Almaden, na Califórnia. 

Começando pelo átomo, a unidade de matéria mais pequena, os cientistas utilizaram um microscópio inventado pela IBM, premiado com o Nobel da Física em 1986, e demonstraram que é possível armazenar um bit de informação no átomo usando a corrente elétrica. Mostrou-se que dois átomos magnéticos podem ser escritos e lidos de forma independente, mesmo quando estão separados por apenas um nanómetro – uma distância que é apenas um milionésimo da largura da cabeça de um alfinete. Este pequeno espaço pode eventualmente produzir um armazenamento magnético 1.000 vezes mais denso que os atuais discos e memórias solid state.

As futuras aplicações de nanoestruturas poderão armazenar mil vezes mais informação no mesmo espaço, tornando, um dia, os centros de dados, computadores e dispositivos pessoais radicalmente mais pequenos e mais potentes.

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