Intel investe 15,3 mil milhões para entrar nos carros autónomos

2017-03-14 A Intel vai comprar a Mobileye, uma companhia israelita especialista em tecnologia de carros autónomos, por 15,3 mil milhões de dólares (14,3 mil milhões de euros). O objetivo é entrar em força nesta área. Esta é a segunda maior aquisição de sempre na história da companhia e será o maior negócio de sempre a envolver a aquisição de uma empresa de Israel por uma companhia estrangeira.

A Mobileye é líder mundial no fornecimento de sensores para evitar a colisão de veículos.  Criada em 1999 com o objetivo de reduzir os acidentes de automóveis e baixar o número de vítimas mortais relacionadas com acidentes de viação, será agora integrada na gigante mundial, que se quer posicionar num mercado que espera alcançar os 70 mil milhões de dólares em 2030

"Juntas, poderemos acelerar o futuro da condução autónoma com uma prestação superior e um menor custo para os fabricantes automóveis", afirmou o CEO da Intel, Brian Krzanich, em comunicado.  Onde se acrescenta que "com os automóveis a progredirem de condução assistida para totalmente autónomos, estão a tornar-se cada vez mais um centro de dados sob rodas", estimando que em 2020 os carros autónomos gerem 4 mil GB de dados por dia.

A Mobileye já é parceira da Intel, que cujo core está centrado na produção de chips para computadores. Com a BMW, anunciaram em julho do ano passado um acordo para introduzir no mercado automóveis de condução totalmente autónoma em 2021. A primeira frota de 40 veículos de teste deverá estar na estrada já no segundo semestre.

Depois de perder o negócio dos smartphones e com a industria de PC's em declínio, a Intel precisa de encontrar novas áreas onde vender os seus chips. E os carros estão agora no centro da sua estratégia, tendo em conta que os veículos autónomos são vistos como o futuro por gigantes como a Uber e a Alphabet, entre outros.

"Se olharmos para o que está a ser feito e do que se espera ter em termos de veículos em 2020 ou 2021, precisamos de estar já neste negócio e de ter uma plataforma de desenvolvimento para dar resposta ao mercado. Esperamos poder realmente influenciar o arranque real dos veículos autónomos", referiu o CEO da Intel à CNBC.

A Intel tem uma história de compra de empresas para tapar buracos em seus negócios. Entre 1997 e 2002, comprou mais de 40 empresas. E posteriormente, envolveu-se em meganegócios, como a compra de 2010 da empresa de segurança McAfee, por 7,68 mil milhões de dólares. Ou da unidade de negócio móvel da Infineon, por 1,4 mil milhões, num movimento para entrar no negócio dos telemóveis.



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