Como “prosperar na tempestade perfeita”

2018-05-22
Os caminhos para a inovação são vários. Tanto para as grandes empresas, como para as PME e as startup’s. Investimento, talento, estratégia, liderança, gestão, parcerias e redes de colaboração são requisitos essenciais. Mas tudo depende das opções tomadas. Certo é que “o mundo está a viver uma tempestade perfeita. A maior parte das empresas nacionais têm uma pequena dimensão e hoje o jogo joga-se entre gigantes mundiais. Quem quiser competir no mercado global enfrenta grandes desafios. Mas o maior risco é não fazer nada”.

A afirmação é de  Jorge Portugal, diretor-geral da Cotec Portugal na round table da 15.ª edição do Encontro Nacional de Inovação, com o tema "Prosperar na Tempestade Perfeita", deixando claro que há empresas a ter sucesso, com estratégias de inovação sustentável já implementadas ou em curso.

Nesta sessão, onde foi apresentado o estudo da Cotec em parceria com a EY, ficou claro que Portugal precisa de adotar uma nova estratégia de inovação, tendo em conta que ainda há grandes problemas na qualificação dos recursos humanos e na retenção de talento, há um baixo nível de investimento público e privado na inovação, uma reduzida colaboração entre empresas e com os organismos e entidades de investigação e desenvolvimento e um reduzido conhecimento.

Por isso, há que aplicar a receita preconizada pelo estudo – alinhamento da inovação com o negócio, importância do modelo organizacional e do desenvolvimento de iniciativas como programas de partilha de ideias e identificação de novos requisitos de inovação, incubadora para desenvolvimento e teste de novos projetos, programa interno de empreendedorismo e incorporação". Só assim se conseguirá ter sucesso, “transformando a inovação em crescimento”, acrescenta Jorge Portugal.

E há casos de sucesso da adoção de metodologias de inovação, como ficou evidente na sessão sobre “Do 3.0 ao 4.0: a Vantagem da Plataforma”. António Costa, do IST, defende a necessidade de se construir um mundo cada vez mais smart, sendo a standartização crucial para haver uma linguagem comum, dependendo isto da vontade de todos os stakeholders. “é preciso ter um timeline e um roadmap claro e treinar bem as pessoas para uma mudança que é uma revolução em todas as áreas”, diz.

Na Embraer, a aposta é numa inovação aberta e um forte investimento no desenho de produto. Inovam em conjunto com uma vasta rede de parceiros, normalmente apostando nos fornecedores locais. Até porque, como destaca Jorge Oliveira, líder da construtora aeronáutica, as empresas nacionais são cada vez mais competitivas e apostam em ser globais.

Também nos CTT a transformação é essencial para preparar o futuro. Francisco Simão destaca o Banco CTT e a aposta no e-commerce, vista como uma oportunidade de grande crescimento, através de parcerias com os fornecedores de produtos nacionais, que ainda têm pouco peso em termos de vendas eletrónicas. Aqui, estão abertos a parcerias que beneficiem ambas as partes.

Na sessão sobre “Gestão da Organização na Era Digital”, João Vasconcelos, ex-secretário de Estado da Indústria, deixou claro que as empresas legacy ainda não sabem como se juntar às startup’s, como o evidencia o facto não estarem ainda a ser criados produtos em virtude dessa aproximação. Trata-se de um movimento que depende muito mais das grandes empresas do que das startup’s, mas estas são fundamentais ao movimento de disrupção daquelas, uma fonte de inovação essencial. Por isso, “as empresas que precisam de inovação permanente têm que arranjar forma de lidar com as startup’s”.

Mas como se consegue ter uma liderança que mantenha uma equipa motivada, alinhada e inovadora? Para Jorge Araújo, mais do que liderança, tem que se olhar para as pessoas e agir em conformidade. Sem medo de fazer e de errar, porque é a atitude que faz a diferença. “Gerir e liderar são coisas distintas. A gestão racionaliza, a liderança emociona”, diz.

E é possível crescer quando os mercados não crescem? Esse foi o tema do debate seguinte, onde participou um responsável da MacLaren e de uma têxtil nacional, além de dois representantes do BEI. Na ERT Têxtil Portugal a decisão de apostas na inovação foi tomada à 6 anos, em contraciclo com o mercado. A opção foi criar um centro de inovação fora da empresa e hoje têm várias empresas com entidades de I&D ligadas a várias universidades para o desenvolvimento de projetos distintos. Ao todo, foram investidos até agora 4,5 milhões de euros nesta área para preparar a empresa para o futuro. Com resultados já evidentes.
Já na MacLaren, Jim Newton refere que a opção foi pela realização de parcerias muito seletivas com parceiros de I&D para trabalhar no longo-prazo. São entidades que partilham a visão do grupo, que criou dois hubs de inovação mundial, um nos EUA e outro e Singapura, perto das grandes empresas que também estão a inovar.

Até ao nível das entidades de financiamento, a inovação é uma realidade, como ficou claro com o BEI, que teve que olhar para uma nova realidade de mercado sempre em mudança e apresentar novas soluções. Porque a inovação vem de diferentes formas e processos e há que olhar de diferentes ângulos e procurar novas formas de endereçar o mercado.

A encerrar este encontro da Cotec, que marcou também o fim do mandato da direção liderada por Francisco de Lacerda, que vai ser substituído por Isabel Furtado, da TMG Automotive, o atual presidente executivo dos CTT destacou a importância da qualificação e retenção dos recursos humanos, do reduzido investimento público em inovação e do baixo pedido de registo de patentes com valor de mercado, que mostra que há ainda muito por fazer. “As organizações que se querem dinâmicas e criadoras de valor devem permanentemente questionar-se. Ao longo deste mandato, a COTEC abordou os desafios que vão construir o futuro”, referiu.

Foi ainda anunciado Prémio Produto Inovação 2018 da Cotec, atribuído ao Projeto Tenowa, da Têxtil Riopele, uma marca inovadora de tecidos sustentáveis e ecológicos para moda, concebidos através da valorização de resíduos têxteis e agroalimentares, com design atrativo e elevada qualidade e conforto, que utiliza 80% de matéria-prima reciclada. A menção honrosa foi atribuída ao projeto BITalino, da Plus Wireless Biosignals, uma plataforma de desenvolvimento de código aberto, que permite desenvolver projetos e aplicações de medição sinais biomédicos, de forma fácil e rápida.

A fechar, uma mensagem em vídeo do Presidente da República, onde Marcelo Rebelo de Sousa destacou os desafios europeus e nacionais que há ainda a enfrentar, e a importância da estabilidade política, económica, institucional, laboral e fiscal, assim como os incentivos ao investimento e à internacionalização. O tema desde encontro foi "Prosperar na Tempestade Perfeita" e decorreu nas instalações da Embraer, em Évora.


2018-10-18 | Atualidade Nacional

Na definição dos novos parâmetros de qualidade do serviço


Alemã sobre previsões para o total do ano


Graças à procura de 5G nos EUA e aos upgrades na Europa


2018-10-19 | Breves do Sector

Acaba de ser inaugurada no Porto