Construção da democracia na internet vai demorar

2019-04-08 O processo de construção da democracia na internet vai ser muito demorado, até porque será muito difícil regular este mercado. Com a aceleração tecnológica, o papel dos media está claramente a ser ameaçado com o online. Mas o grande desafio é sobretudo o de encontrar o modelo de negócio certo, já que um jornalismo de excelência será sempre necessário.  Estas foram algumas das ideias defendidas pelo líder da APDC num debate sobre o futuro do jornalismo, que decorreu este fim de semana.

A internet e as redes sociais estão a pôr em risco o jornalismo tal como o conhecemos. E as ameaças são várias, a começar pelo advento do produtor consumidor, que tornou possível a todas as pessoas passarem elas próprias a produzir notícias. A criação de relações peer-to-peer, que tornam desnecessária a intermediação, constitui outra ameaça a todas as profissões de intermediação, como os media. Acresce a personalização em massa, a robotização, que veio permitir a produção automática de notícias, sem intervenção humana, e a disrupção do negócio - os media foram dos primeiros setores a sentir este impacto - são outros problemas evidentes.

O alerta veio do Presidente da APDC, Rogério Carapuça, que participou ontem num debate sobre "Tecnologia e as Redações - haverá jornalismo no século XXII?", inserido num ciclo de sete debates sobre o Futuro do Jornalismo que decorreram este fim de semana no CCB. Num tempo de fake news e populismo que ameaçam a democracia e a liberdade, esta foi considerada por todos uma discussão oportuna e necessária, que juntou jornalistas, académicos, políticos e figuras da sociedade civil em torno de um conjunto de temas que dizem respeito a todos os cidadãos, comunidades e territórios.

No debate que se centrou nos impactos da evolução tecnológica, que está a alterar paradigmas e a abrir novas possibilidades, o líder da APDC considerou que se a profissão de jornalista está ameaçada, o caminho terá que passar por se fazer um jornalismo de grande qualidade. Mas o verdadeiro desafio será o modelo de negócio, que terá que ser reinventado. "No limite, haverá sempre boas histórias para serem contadas. O que falta é definir a forma como serão vendidas. Temos que ter um modelo de negócio diferente", adiantou.

Quanto ao futuro, admite que é quase impossível de prever o que vai acontecer em termos de evolução tecnológica num cenário a cinco ou 10 anos. "A velocidade de processamento e a capacidade de armazenagem estão a aumentar de tal forma que é muito complicado prever o que vamos fazer daqui a uns anos nem imaginar o tipo de tecnologias que vão existir. Vamos ser capazes de, tecnologicamente, fazer coisas fabulosas. Como é que as profissões que temos hoje vão subsistir a questão", considerou.

Mas está convicto de que a utilidade das profissões se manterá, sobretudo as que têm natureza emocional, ao contrário das que têm uma natureza transacional. Certo é que a qualidade em qualquer profissão será, na sua ótica, um enorme diferenciador. "Nada dispensa qualidade e só ela nos poderá defender das disrupções", garantiu.

No tema da nova legislação europeia de direitos de autor, Rogério Carapuça considerou que "legislação disparatada nunca fez bem a ninguém. A ideia de proteger o direito de autor no sentido de quem produz e tem conteúdos poder monetizá-los está correto. Mas impor que as plataformas controlem os links e posts dos utilizadores não lembra a ninguém".

Por isso, considera que "há muitos passos a dar para conseguir fazer uma regulação útil para os conteúdos digitais. E o problema é que os disruptores são muito mais rápidos que os reguladores. "O processo de construção da democracia na internet vai ser muito demorado", alertou.

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