Economia 4.0 exige política e sociedade 4.0

2018-02-07 Sendo a mudança em curso imparável, será possível alcançar mais rapidamente uma economia 4.0 que seja duradoura e justa se tivermos uma Europa 4.0 e sistemas políticos e sociais 4.0. Só assim será possível maximizar as vantagens e minimizar as desvantagens. A mensagem é do Presidente da República, no encerramento da COTEC Europe Summit 2018, que decorrer esta manhã no Convento de Mafra.

Para Marcelo Rebelo de Sousa, a União Europeia deverá aproveitar os meses que restam antes do longo processo eleitoral de 2019 e ir mais longe, acompanhando e até antecipando as mudanças. Nomeadamente no que respeita aos sistemas políticos, que ainda são 2.0 ou 3.0., desenhados nos anos 70 e 80 do século passado e são estruturas rígidas, ultrapassadas e distanciadas das pessoas. "Não inviabilizam o desenvolvimento da economia, mas travam o ritmo futuro", garantiu.

Há que "ousar ir mais longe na definição do horizonte além de 2021" em áreas como a inovação e saber, migrações, segurança, defesa e pedagogia para os jovens. Sem nunca esquecer as pessoas. "Não basta pensar no novo trabalho e nos novos empregos, é preciso pensar nas pessoas concretas", defendeu o Presidente da República.

Na sessão de encerramento deste evento, onde o mote foi "Work 4.0: Rethinking The Human-Technology Alliance", participaram também o homólogo italiano, Sergio Mattarella, e o Rei de Espanha, Felipe V, além dos presidentes das Cotec Portugal, Espanha e Itália.

Filipe VI também deixou a mensagem de que, se nesta revolução "há tempo para atuar, não há tempo a perder". Nomeadamente na adaptação dos sistemas educativos à nova realidade ditada pela evolução tecnológica acelerada, de forma a garantir um desfecho mais justo e inclusivo.

Sendo o desenvolvimento da sociedade digital vertiginoso, o monarca defendeu que se não se sabe do que serão capazes as máquinas no médio prazo, sabemos do que são capazes as pessoas, o que permitirá "preparar a sociedade para o futuro". Será o fator humano, com a formação adequada e permanente que "marcará a diferença", acrescentou,

A mensagem de Francisco de Lacerda, presidente da Cotec Portugal foi no mesmo sentido: "temos que enfrentar as questões, identificando os desafios e dificuldades. É tempo de trabalharmos pelo futuro. O que passa por promover um diálogo social alargado entre todos os stakeholders. E não tem dúvidas de que "quanto maior for o nível de digitalização, maior será a atenção que temos de dar às pessoas e à sua relação com a tecnologia. Esta é uma revolução de pessoas".

Já Carlos Moedas, comissário europeu da Investigação, Ciência e Inovação, defendeu que o maior ativo da Europa nesta revolução digital é a diversidade. "É a chave para a inovação. Sem diversidade, não podemos ter inovação", adiantou, admitindo que há países preparados a mudança e outros não. Nomeadamente ao nível do sistema educativo, citando o caso de sucesso da Finlândia, que "não teve medo de arriscar".

"As pessoas não devem ter medo de arriscar e os políticos foram treinados para ter medo. Este é um desafio para a Europa", admitiu. Porque terão que ser feitas escolhas e decisões políticas para se poder avançar e acelerar. Mostrou-se ainda otimista em relação à Europa na atual revolução digital: "a Europa liderou a 1ª vaga, mas perdemos a 2ª vaga da digitalização. Nesta 3ª vaga, da ciência básica, será diferente. Há muita coisa que temos que mudar, mas se á uma espantosa ciência básica é na Europa".

A questão será agora a de alocar mais recursos à inovação e à investigação e desenvolvimento. E de mudar o sistema educativo, para comentar os inovadores e empreendedores. "Só assim estaremos preparados para o futuro", garantiu. Para Carlos Moedas, "tem que haver uma grande discussão sobre o orçamento europeu e decidir se a inovação é ou não uma prioridade".

Esta 10ª edição da cimeira europeia teve como base um relatório conjunto elaborado pelas Cotec o trabalho 4.0 e reuniu no Convento de Mafra líderes empresariais e representantes das esferas académicas, sociais e políticas portugueses, espanhóis e italianos, Objetivo: analisar os desafios, riscos e oportunidades da transformação para o digital e o seu impacto na sociedade e no mundo do trabalho, onde a automatização e a inteligência artificial são cada vez mais uma realidade.

Presentes estiveram ainda o ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, e a Secretária de Estado da Indústria, Ana Teresa Lehmann, que adiantou que existem 700 milhões de euros de financiamentos para executar em 2018 para a 4ª revolução industrial. Já foram executadas ou concluídas mais de metade das medidas do programa Indústria 4.0, apresentado há cerca de um ano.

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