Pandemia acelerou digitalização dos hospitais portugueses mas é preciso mais formação

2020-10-08 A pandemia levou os hospitais portugueses a tornarem-se mais digitais. Mas o país continua abaixo da média europeia em termos de utilização de tecnologias 4.0 na saúde, como a IA ou a robotização. Esta realidade deve-se ao nível de burocracia e à dificuldade em encontrar as tecnologias certas, que surgem como principais entraves. As conclusões são do mais recente estudo da Deloitte.

O estudo "Digital Transformation: Shaping the future of European healthcare" da Deloitte realizado em sete países europeus - Itália, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos, Dinamarca e Noruega e Portugal - mostra que a adaptação dos hospitais portugueses às novas exigências causadas pela pandemia passou por um aumento da implementação de novas tecnologias e de soluções digitais, como resposta às necessidades de profissionais de saúde e pacientes.

No mercado nacional a pesquisa abrangeu uma amostra de 150 profissionais, dos quais 40% são especialistas, médicos de cuidados secundários ou cirurgiões, 36,7% médicos de clínica geral e 23,3% enfermeiros. Um total de 86% dos profissionais inquiridos trabalha em hospitais públicos.

O estudo revela que se assistiu na Europa a uma ampla adoção de tecnologias digitais de apoio ao trabalho dos médicos em resposta à Covid-19. Em Portugal, 80% dos profissionais de saúde inquiridos afirmam que a sua organização aumentou a adoção de tecnologias digitais para apoiar as suas formas de trabalho em resposta à pandemia Covid-19. E 81% dos clínicos inquiridos afirmam que a sua organização aumentou a adoção de tecnologias digitais para fornecer suporte virtual e formas de envolvimento com os pacientes em grande ou alguma extensão.

No entanto, apesar deste aumento na adoção de soluções digitais pelos hospitais portugueses, verifica-se que os médicos e enfermeiros portugueses consideram que o esforço de formação nesta área não acompanhou o aumento do recurso a soluções digitais. Apenas 44% dos médicos e enfermeiros inquiridos estão razoavelmente satisfeitos ou muito satisfeitos com a formação ministrada, o que pode ser atribuído a um menor número de ações de formação e apoio prestado à utilização de tecnologias no país como um todo.

Já mais de 60% dos médicos na Holanda e no Reino Unido estão razoavelmente satisfeitos ou muito satisfeitos com a formação disponibilizada, o que é maior em comparação com os resultados de outros países participantes da pesquisa e pode ser atribuído à quantidade de formação e suporte fornecido para usar tecnologias nesses países.

O trabalho mostra ainda que em Portugal, 47,3% dos profissionais de saúde nunca recebeu, por parte da sua organização, qualquer formação relativa à utilização de novas tecnologias ou recursos digitais, quando a média europeia se situou nos 25,5%. No entanto, os profissionais de saúde acreditam que as suas organizações estão preparadas para adotar tecnologias digitais. 84% dos médicos e enfermeiros portugueses inquiridos consideram que a sua organização está razoavelmente bem ou muito bem preparada para a adoção de tecnologias digitais, o que é superior à média europeia (74%).

Na Dinamarca, Holanda, Noruega e Itália 89%, 84%, 79% e 75% dos médicos, respetivamente, acham que sua organização está razoavelmente bem ou muito bem preparada. Cerca de um terço dos médicos na Alemanha e no Reino Unido pensam que sua organização não está nada preparada para a adoção de tecnologias digitais.
Quando questionados quais os três principais desafios da sua organização relativamente à implementação de novas soluções tecnológicas, em Portugal, a "burocracia" (66,7%) é o maior obstáculo seguido de "encontrar as tecnologias certas" (62%) e da "formação adequada do staff para o uso da tecnologia" (44%).

Em termos gerais, as soluções digitais mais utilizadas pelos profissionais de saúde em Portugal são a "receita eletrónica" (96%), o "registo eletrónico de saúde" e as "plataformas/ferramentas de acesso online" (para cuidados primários ou hospitalares). Mas, apesar de a pesquisa concluir que Portugal é bom utilizador de tecnologias digitais, ainda não foi dado o salto para a adoção massiva de tecnologias da vaga 4.0 (como inteligência artificial, genomics e robotização).

"O estudo mostra indicadores encorajadores acerca da adoção de novas tecnologias por parte das organizações de saúde. Indica-nos que a pandemia veio acelerar, de facto, a transformação digital e que é cada vez mais decisivo apostar na formação dos profissionais de saúde para que esta mudança sirva da melhor forma tanto pacientes como profissionais de saúde.  entanto, temos de ter em conta que transformação digital não diz respeito apenas à implementação de tecnologia, mas também a uma mudança ao nível da cultura e mentalidade de todos os que dela usufruem", diz Carlos Cruz, Partner e líder do setor de Life Sciences & Health Care da Deloitte.

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